Brasil

Já nos EUA, Flávio se diz ‘líder do Brasil’; registro indica 1 ano no país

Depois do pouso em Miami, senador divulgou carta em que alega fraude sem provas; Trump disse que não vai se envolver, e o TSE afirma que a eleição foi normal. Asilo e decisão de Moraes seguem em aberto.

Montagem com retratos de Flávio Bolsonaro, à esquerda, e de Eduardo Bolsonaro, à direita
Montagem de duas fotos de arquivo: Flávio Bolsonaro (Senado Federal, 30/4/2026 — CC BY-SA 4.0) e Eduardo Bolsonaro (VOX España, CPAC, 2022 — CC0). As imagens não registram os fatos desta quinta. Origem da foto de Flávio. Origem da foto de Eduardo. Condição de uso.

O jato que levava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mulher e as duas filhas pousou em Miami, nos Estados Unidos, às 10h24 desta quarta-feira (28), no horário de Brasília, segundo O Globo. Imagens ao vivo de TV, transmitidas por CNN e GloboNews, mostraram a família desembarcando no aeroporto executivo de Opa-locka por volta das 10h31, e o g1 publicou fotos da Reuters do desembarque. A BBC News Brasil diz ter confirmado que os passaportes de Flávio e de seus familiares foram usados para dar entrada nos EUA nesta quarta. Ao longo do dia, o senador divulgou uma carta em que alega fraude eleitoral sem provas e se diz “líder do Brasil”; não há, nas fontes lidas, declaração oficial do governo americano sobre a chegada nem pedido ou concessão de asilo. Segundo O Globo, o grupo deixou o aeroporto num utilitário preto, com homens de uniforme preto que não foi possível identificar como policiais ou integrantes de agência americana. O governo dos EUA diz que emitirá vistos à família, e o presidente Donald Trump disse que aprovaria a entrada. O comunicado argentino está na matéria sobre a Argentina; as falas de Trump, na matéria própria.

O que mudou desde as 13h (quinta)

Jato teria sido providenciado por assessor da Casa Branca (14h41). Segundo reportagem do New York Times relatada pela CNN Brasil, o jato usado por Flávio foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca, e Eduardo Bolsonaro manteve contato com ele; o plano teria sido posto em prática na segunda (26), depois que o senador foi orientado a entregar os passaportes. A fonte é anônima, e a CNN diz aguardar resposta do Departamento de Estado, da Casa Branca e de Miller; o Os Poderes leu só o resumo da CNN. O mesmo relato diz que o senador deve pedir um green card (matéria própria).

Aliado culpa o ChatGPT pelos erros da carta (14h39). Segundo o Poder360, o jornalista Paulo Figueiredo disse que o ChatGPT ajudou a produzir as versões da carta: Eduardo Bolsonaro teria pedido que inserisse o brasão, e a ferramenta escolheu um modelo antigo, grafado com “Z”; o trecho “verdadeiro presidente eleito” teria vindo de uma versão anterior. A explicação é de Figueiredo; não há manifestação de Flávio nas fontes lidas. O Globo relata, com fontes não identificadas, que o senador recuou da autoproclamação depois de alertas jurídicos e de pressão de dirigentes do PL (matéria própria).

Trump diz que Lula pediu que ele não tomasse partido. Segundo Poder360, CNN Brasil e g1, o presidente americano disse nesta quinta que Lula lhe pediu que não tomasse partido na eleição brasileira e que falará com o presidente brasileiro; as chamadas de capa não trazem confirmação do Planalto (matéria própria).

PT quer o PL fora do bloco da reeleição de Motta; deputado italiano pede apuração. Segundo O Globo, o PT pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que o PL fique de fora do bloco partidário que apoia a reeleição dele (matéria própria). Um deputado italiano pediu apuração sobre a cidadania dos irmãos Bolsonaro, segundo a CNN Brasil (matéria própria).

O que mudou desde as 12h (quinta)

Valdemar: Bolsonaro não sabia da fuga e “ninguém aprovou” a carta (11h40). Segundo a CNN Brasil, depois de visitar Jair Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que nem o ex-presidente nem ele sabiam do plano de Flávio e que “ninguém aprovou” a carta; sobre a saída do senador, afirmou que o partido compreende a situação difícil dele, “mas não aprovamos”. Perguntado se Flávio se despedira do pai, respondeu primeiro que sim e depois se corrigiu: Flávio não contou ao pai que sairia do país. Segundo a emissora, o senador visitou Bolsonaro na segunda (26). Valdemar disse ainda que o objetivo agora é “tocar o partido para frente”. As falas são do dirigente; Flávio e a defesa não responderam a elas, nas fontes lidas (matéria própria).

EUA teriam pedido que Flávio tirasse “presidente eleito” da carta. Segundo o blog de Valdo Cruz, no g1, assessores do Departamento de Estado e diplomatas dizem que o governo americano pediu ao senador que retirasse os trechos em que se apresentava como “verdadeiro presidente eleito”, porque a expressão poderia sugerir que Washington o acolhera nessa condição. Aliados de Flávio dizem que foi só um ajuste de texto, e não há manifestação oficial do Departamento de Estado nem do senador; a informação foi divulgada antes pela colunista Mariana Sanches, do UOL, cuja coluna o Os Poderes não conseguiu abrir (matéria própria).

21 partidos reconhecem a vitória de Lula. Levantamento da TV Globo publicado pelo g1 contou 21 partidos que reconheceram o resultado, entre eles PL, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos e PSDB; o Novo questionou as instituições, e sete siglas não se manifestaram. A lista não inclui o PT, e, como observa o g1, reconhecer o resultado não significa apoiar o governo (matéria própria).

O que mudou desde as 10h (quinta)

Trump: eleição foi uma “vergonha” (12h03). Segundo O Globo, o presidente americano disse nesta quinta, a jornalistas antes de partir para um comício, que acompanhou a eleição brasileira, não tomou partido, mas viu o que acontecia no Brasil e que foi uma “vergonha”; na véspera, ele havia dito que não ia se envolver. A fala é curta, sem detalhes, e não há reação do governo brasileiro nem de Flávio nas fontes lidas (matéria própria).

Malafaia defende a saída (quarta; matéria às 11h50). Em vídeo de quarta, o pastor Silas Malafaia disse que a saída de Flávio foi “corretíssima”, acusou Moraes de perseguição e explicou que a crítica que fez em 2022 à viagem de Jair Bolsonaro aos EUA valia para o ex-presidente; as afirmações dele sobre o horário do pedido da PF e a consulta à PGR não foram verificadas (matéria própria).

Fachin arquiva mais cinco investigações (10h26). O presidente do STF arquivou mais cinco apurações derivadas do inquérito das fake news, atendendo a manifestações da PGR; nenhuma delas é um dos inquéritos de Flávio (matéria própria).

O que mudou desde as 8h (quinta)

PF apura ajuda e avalia bloqueio de bens (8h11 e 8h25). Segundo relatos feitos à CNN Brasil, a Polícia Federal apura se Flávio teve ajuda de empresários e de políticos de direita para sair do país e investiga quem são os donos dos carros e dos aviões usados na viagem; agentes não descartam pedir quebras de sigilo. A mesma emissora diz que a PF avalia pedir, num segundo momento, o bloqueio de bens e de contas do senador e que um eventual pedido de prisão preventiva ainda é visto com cautela. Nada foi formalizado, e a PF não divulgou nota sobre esses pontos; as informações vêm de fontes não identificadas (matéria própria).

Valdemar: “não gostei” (9h). O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse a jornalistas, ao chegar ao condomínio onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, que não gostou da carta de Flávio e que levaria “muitas novidades” ao ex-presidente; a visita foi autorizada por Moraes, e o conteúdo da conversa não foi divulgado (matéria própria).

Onze faltas no Senado (8h34). Segundo contagem do Poder360 a partir dos Diários do Senado, Flávio acumula 11 faltas não justificadas em 2026; a perda do mandato por ausência exigiria um terço das sessões, o que seria 24 faltas pelas contas da reportagem. Não há processo aberto nas fontes lidas (matéria própria).

O que mudou desde as 5h (quinta)

Assessor de Milei em Puerto Iguazú (7h22). Segundo reportagem do jornal argentino Clarín relatada pela CNN Brasil, o assessor do presidente Javier Milei Santiago Caputo, sem cargo formal, esteve em Puerto Iguazú na noite da saída de Flávio e acompanhou a operação do aeroporto, segundo fontes anônimas da Casa Rosada; as mesmas fontes dizem que empresas ligadas à embaixada dos EUA contrataram o voo da Baires Fly e que autoridades brasileiras sabiam da movimentação. Não há, nas fontes lidas, confirmação oficial argentina, americana ou brasileira. A Folha, em trecho aberto, diz que as lacunas no trajeto até a Argentina alimentam hipóteses, inclusive de ajuda do governo Milei, “nenhuma delas com provas”, e que a PF investiga aeródromos privados perto da tríplice fronteira (matéria própria).

Senado reafirma o resultado (sessão de quarta). Segundo a Agência Senado, republicada pelo Poder360, senadores como Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eliziane Gama (PSD-MA) reafirmaram a vitória de Lula e criticaram a carta; Vieira lembrou que o PL já reconheceu o resultado. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) respondeu falando em brasileiros exilados (matéria própria).

Alcolumbre e o indulto a Bolsonaro. Segundo o blog de Andréia Sadi, no g1, o presidente do Senado avalia negociar um acordo que combine conter o impeachment de ministros do STF e discutir um eventual indulto a Bolsonaro, de olho na reeleição à presidência da Casa; não há acordo fechado, e a fonte são interlocutores não identificados (matéria própria).

O que mudou desde as 4h (quinta)

Plano da defesa (4h). Segundo a coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, os advogados de Flávio pretendem atuar diretamente nos três inquéritos que o envolvem no Supremo e pedir que o caso de possível lavagem de dinheiro ligado a Willer Tomaz saia da relatoria de Moraes e vá para André Mendonça; a coluna diz que, na segunda (26), a defesa via caminhos para reverter a ordem dos passaportes, porque um banco teria negado vínculo do senador com a conta citada na decisão. O plano é atribuído a aliados e advogados, e não há pedido protocolado nas fontes lidas (matéria própria).

Vácuo na direita (3h30). Segundo O Globo, a saída frustrou o plano do PL de fazer de Flávio o principal articulador da oposição. A reportagem relata que aliados de Tarcísio de Freitas avaliam que a ausência do senador favorece o governador para 2030, que Michelle Bolsonaro negocia retornar ao comando do PL Mulher e que Rogério Marinho e Tereza Cristina se movimentam pela presidência do Senado, hoje com Davi Alcolumbre, que teve apoio anunciado da federação União Brasil-PP. São avaliações de aliados, não decisões.

Editorial de jornal americano. Segundo o Poder360, um jornal dos EUA publicou na quarta um editorial que acusa o governo Lula de “revanche” contra Flávio, critica a ordem de Moraes e chama os vistos americanos de “oferta justificável de proteção política”; é opinião do jornal, e o senador é investigado em dois inquéritos, nos quais nega irregularidades, segundo o Poder360 (matéria própria).

O que mudou desde as 14h

Governo apura a rota (madrugada de quinta). Segundo reportagem da CNN Brasil publicada às 3h30 desta quinta (29), o governo brasileiro busca dimensionar o papel dos governos da Argentina e dos EUA na saída de Flávio e vê lacunas no deslocamento dele até a Flórida. Entre as dúvidas listadas estão onde o senador esteve entre a madrugada de segunda e a noite de terça, se ele cruzou mesmo a ponte às 22h50 e a pé, que transporte usou de Brasília até a fronteira, quem o ajudou e se houve articulação prévia com Washington. A PF já apura a rota; a CNN cita fontes do governo sem identificá-las, e o Itamaraty adota cautela e quer deixar o caso com a Justiça (matéria própria).

Votos depois das 17h (madrugada de quinta). A carta cita a prorrogação da votação, ordenada pelo ministro Cristiano Zanin, como argumento para contestar o resultado. Um levantamento da BBC News Brasil sobre os registros das urnas contou 33.866 votos para presidente depois das 17h do segundo turno, ou 0,026% do total, contra uma diferença de 4.430.191 votos entre Lula e Flávio; a reportagem cita que o senador disse que pedirá a anulação da eleição, e as fontes lidas não informam se o pedido foi apresentado (matéria própria).

Malafaia e a OEA (madrugada de quinta). Segundo a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, o pastor Silas Malafaia disse a aliados, em mensagem de WhatsApp, que os filhos de Bolsonaro se aconselham com as pessoas erradas e que Trump já teria retirado o apoio a Flávio; a afirmação é de Malafaia, e Trump disse apenas que não vai se envolver. Malafaia não quis comentar (matéria própria). A missão de observação da OEA, em relatório preliminar divulgado na quarta, afirmou não ter dúvidas sobre a integridade da apuração do TSE e ratificou a vitória de Lula, segundo o Poder360, o que contrasta com a alegação de fraude, sem provas, da carta (matéria própria).

Coligação de Lula (madrugada de quinta). Em nota divulgada na quarta, os partidos que apoiaram Lula afirmaram que Flávio “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira” e que buscou abrigo junto a Trump, que “atuou abertamente para interferir em nossas eleições”; a frase sobre Trump é acusação dos partidos, sem prova nas fontes lidas. A nota também diz que a contestação do resultado “não se sustenta”. Segundo o Poder360, o Planalto não respondeu à carta e Flávio não se manifestou sobre a nota (matéria própria).

Marinho e o PL (noite de quarta). No Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha, disse que nem o PL nem ele podem afirmar que houve fraude, porque “não há prova nesse sentido”, e acredita ter havido algum problema na confecção da carta; segundo o Poder360, chamou Flávio de exilado político, mas reconheceu que não há ordem de prisão contra ele. A fala de Marinho é dele e não foi respondida, nas fontes lidas, por Moraes, pelo STF ou pela PF (matéria própria).

Valdemar e Bolsonaro. Segundo o g1, Moraes autorizou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a visitar Jair Bolsonaro na prisão domiciliar, a pedido do ex-presidente, depois da saída de Flávio do país; o ministro já havia negado visitas de Valdemar e, em julho, proibira encontros de finalidade político-eleitoral até o fim da eleição (matéria própria).

A carta. Nesta quarta, Flávio divulgou dos EUA uma carta em que agradece a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, diz que vai liderar a oposição a partir do exterior e alega fraude na eleição, sem apresentar provas, segundo Poder360, g1 e CNN Brasil. A primeira versão o chamava de “verdadeiro presidente eleito”; o texto foi apagado e republicado, uma hora depois, com “líder do Brasil”. O resultado oficial do TSE deu a Lula 51,79% dos votos válidos (64.256.232), contra 48,21% (59.826.041) de Flávio. Veja a matéria sobre a carta e as três versões do texto.

Trump. Questionado por repórteres, o presidente americano confirmou que os EUA autorizaram a entrada do senador, mas disse “não vou me envolver”, segundo CNN Brasil e g1; também repetiu, sem provas, que a eleição brasileira foi “estranha” (matéria própria). Nos EUA, o comitê de Relações Exteriores da Câmara, ligado aos democratas, criticou a concessão de vistos, segundo o g1 (matéria).

Status nos EUA. Segundo o g1, que consultou o sistema da CBP, Flávio foi admitido na categoria “DT” (“autorizado a entrar temporariamente”), com permanência até 27 de outubro de 2027. O g1 não obteve resposta da CBP, e a informação não foi confirmada oficialmente. O Departamento de Estado disse que a entrada não equivale a asilo, e a CNN Brasil informa que a cidadania italiana do senador pode dificultar um eventual pedido (matéria própria).

Reações no Brasil. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou em nota que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade” (matéria própria). O governador Tarcísio de Freitas disse entender a “indignação” do senador, mas defendeu respeito às urnas (matéria), e União Brasil, PSD e MDB defenderam o resultado (matéria). Na parte da tarde, a PF informou que a decisão de Moraes não autorizava prisão nem vigilância do senador, segundo reportagens (matéria).

Tarcísio e o conselho a Flávio. Em entrevista ao Estadão na noite desta quarta, o governador de São Paulo disse ter aconselhado Flávio a permanecer no Brasil, em reunião com os advogados do senador e com Rogério Marinho, e afirmou que não sabia do plano de fuga. Tarcísio também criticou o pedido de passaporte feito pela PF, que classificou como intimidação; a PF não foi ouvida nesta apuração (matéria própria).

Defesa e família. O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, disse à CNN Brasil que havia combinado a entrega dos passaportes à PF para a terça (27), prazo final, e que soube da viagem pela imprensa; a fala é da defesa e não foi confirmada por outra fonte (matéria própria). Na noite de quarta, segundo a CNN, Eduardo Bolsonaro e o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, ambos radicados nos EUA, publicaram fotos ao lado de Flávio; Eduardo citou Olavo de Carvalho na legenda (matéria própria).

A rota, segundo os registros

A imigração argentina publicou que Flávio e a família entraram às 22h50 de terça (27) pela Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, e que embarcaram em voo privado com destino a Guayaquil, no Equador. Segundo o Estadão, com dados do FlightAware, o avião pousou em Guayaquil às 5h25 e decolou de novo às 6h22 rumo a Miami; o g1 informa que o voo não cruzou o espaço aéreo brasileiro. O jato é um Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, da Baires Fly, segundo O Globo, e estava em Puerto Iguazú desde segunda (26). O Globo registra que o governo argentino disse não haver mandado de prisão nem impedimento legal na fronteira. Segundo o jornal, o La Nación apurou que o estrategista de Milei, Santiago Caputo, estava em Misiones no momento da partida; o presidente Javier Milei estava em Catamarca. Segundo o g1, que teve acesso a uma declaração de voo divulgada pelo jornalista argentino Pablo Duggan, do canal C5N, Flávio usou um passaporte italiano para embarcar em Puerto Iguazú; a mulher aparece com passaporte brasileiro, as duas filhas constam da lista e o jato levava três tripulantes argentinos. Os Poderes não viu o documento; a informação é do g1. Veículos chegaram a noticiar, na manhã desta quarta, que a Polícia Federal cumpria buscas em endereço ligado ao senador; o STF divulgou nota dizendo que a informação é falsa e que não há decisão judicial, mandado ou diligência policial nesse sentido, e o g1 corrigiu sua reportagem. Os Poderes chegou a repetir a informação e a corrigiu: os detalhes estão na matéria sobre a nota do STF.

O que muda na cronologia

Durante a terça, a CNN Brasil, o Estadão e outros veículos, com base em fontes anônimas, relataram que Flávio já havia chegado aos EUA; um deles, o Estadão, publicou que ele chegara com a mulher e as filhas. O registro argentino contradiz esse relato: pelo comunicado, o senador só entrou na Argentina à noite e o voo tinha como destino declarado o Equador, e o desembarque filmado em Miami ocorreu na manhã de quarta. A CNN registra que o comunicado “altera a cronologia” e que o governo argentino havia negado, na terça, que ele estivesse no país. Houve divergência sobre quem estava a bordo: o comunicado cita só os quatro integrantes da família, e relatos locais falaram em Flávio sozinho ou em oito pessoas; as imagens de TV mostraram Flávio, a mulher e as filhas, segundo O Globo e g1.

O que mudou à noite

A CNN Brasil (20h20 de terça) afirma que o assessor de Trump disse que autoridades do governo americano sabiam, na segunda (26), que o senador tinha cerca de 24 horas para entregar o passaporte e deixaram claro que a entrada seria permitida. Segundo a emissora, não se sabe se Trump e Flávio conversaram por telefone antes da partida, e uma fonte brasileira próxima ao senador disse que ele temia ser preso. Em texto das 21h42, o colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil, escreve que Flávio já foi recebido pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida, segundo aliados. Essa informação não foi confirmada de forma independente e é anterior ao registro argentino que situa a saída de Flávio do Brasil na noite de terça. Nesta quarta, segundo a BBC News Brasil, o blogueiro Paulo Figueiredo, que mora nos EUA, escreveu no X que Flávio está “bem, em segurança” e que haverá entrevista coletiva na quinta (29) em Miami; a BBC não cita confirmação de Flávio. A fala de Eduardo sobre a saída do irmão está na matéria sobre a declaração de 23 de outubro.

O que os EUA confirmaram e o que não confirmaram

“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, afirmou um alto funcionário do órgão, segundo a CNN Brasil (18h11 de terça). O Estadão, com a AFP e o NYT, registra que a autoridade não confirmou se ele estava de fato viajando. Segundo o Globo, a gestão Trump não disse, antes do pouso, se o senador já se encontrava em território americano. A autorização atribuída a um assessor não identificado não era declaração oficial; a fala posterior de Trump foi uma resposta a um repórter, não um ato formal. Um integrante do governo Trump disse ao Estadão/Broadcast, sob anonimato, que o caso está com o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, e não com a Casa Branca. Dois funcionários americanos disseram à CNN que os vistos estavam sendo emitidos, e um deles indicou a Flórida como destino. A BBC News Brasil reúne advogados de imigração que listam os caminhos para ele permanecer nos EUA: asilo, visto temporário de trabalho ou green card, cada um com exigências; um pedido de asilo poderia ser dificultado pela possível cidadania italiana, segundo a reportagem.

À tarde de terça, o empresário e advogado mexicano Simón Levy, ex-subsecretário de Turismo do México e aliado declarado de Donald Trump, escreveu no X que Flávio “chegou em segurança” aos EUA e que Rubio é o “cérebro” da operação. Levy não apresentou provas, e não encontramos cargo ou papel oficial dele no governo americano. A participação de Rubio não foi comprovada por nenhuma fonte oficial lida; a afirmação de que Flávio já estava nos EUA à tarde de terça também não combina com o registro argentino nem com o desembarque de quarta.

O que dizem os relatos sobre a saída

Segundo a Folha de S.Paulo, aliados afirmam que o governo de Trump, ciente da viagem, vai conceder asilo a ele, e que Flávio decidiu partir na segunda-feira (26), depois de Alexandre de Moraes mandar recolher os passaportes. O Globo relata que ele havia combinado com aliados, ainda no domingo, que apenas a mulher e as filhas viajariam por segurança, e que mudou de ideia, convencido de que poderia ser preso, após a decisão de Moraes. O Metrópoles publicou que Michelle Bolsonaro confirmou a viagem a pelo menos dois aliados. Segundo a CNN Brasil, uma fonte brasileira próxima ao senador disse que ele temia ser preso.

Na segunda, em vídeo, o senador disse que entregaria os passaportes e que “nunca” pensou em deixar o país. Pela manhã de terça, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que Flávio “não saiu” do Brasil e, depois, que ele havia dito querer “dar um tempo”, segundo g1 e Poder360 (veja a matéria própria); o irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA, classificou o relato como “mentira”, segundo a CNN Brasil. À BBC News Brasil, a defesa da campanha afirmou estar “completamente no escuro”. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou reunião de emergência com parlamentares do partido, segundo O Globo, citado pelo Brasil 247; ele e Michelle Bolsonaro se reuniram, e o encontro está na matéria sobre o futuro do PL.

Reações no Brasil (terça)

O presidente Lula (PT) disse, em evento pelos seus 81 anos no Alvorada, que Flávio “fugiu” e que deve ter “culpa na consciência”: “Quem não deve não teme”, afirmou, segundo o g1. Lula ressalvou que não tinha informações precisas sobre o paradeiro; as declarações estão na matéria própria. Segundo a CNN Brasil, a área internacional do Planalto admite que o episódio pode desgastar a relação com Washington, mas avalia que não justifica romper vínculos. Na mesma festa, segundo a CNN, Lula disse que big techs, mercado e governo americano atuaram contra sua reeleição; veja a matéria própria.

O que está documentado

O prazo para entregar os passaportes terminou sem que o senador os apresentasse. A PF comunicou o descumprimento a Moraes, cancelou os passaportes comum e diplomático e emitiu alerta nas fronteiras; o passaporte italiano segue válido, segundo a Folha. Segundo O Globo, a CNN Brasil e o Estadão, Flávio entrou nos EUA com o passaporte diplomático cancelado, conforme registros da agência americana de fronteiras (CBP), como mostra a matéria própria. Como não há mandado de prisão, o Estadão observa que Flávio não pode ser considerado foragido. Especialistas ouvidos pela CNN dizem que a saída poderia fundamentar prisão preventiva, mas que a extradição seria um caminho longo, incerto e com forte componente político. Os deputados do PT Lindbergh Farias e Rogério Correia e a deputada eleita Ana Elisa pediram a Moraes a prisão preventiva e, se houver mandado, a difusão vermelha da Interpol; pediram ainda que o caso vá à PGR; não há decisão. Deputados do Psol e de outros partidos protocolaram na Mesa do Senado um pedido de cassação do mandato; segundo o Poder360, caberia ao presidente do Senado ou à Mesa dar andamento ou arquivar. A decisão de Moraes, o descumprimento e o pedido de prisão estão em matéria própria, e as críticas de ministros do STF à ordem, relatadas pelo Globo, em outra.

O que falta saber

Falta confirmação oficial dos EUA sobre o status migratório do senador e sobre o papel atribuído a Jason Miller, saber se haverá pedido ou concessão de asilo, a decisão de Moraes sobre prisão ou difusão vermelha, eventual pedido de extradição, se o pedido de anulação da eleição anunciado por Flávio será apresentado, se a defesa protocolará o pedido de troca de relatoria e a entrevista coletiva que aliados dizem ter marcada para quinta (29) em Miami; até as 15h15 de quinta, nenhuma das coberturas lidas pelo Os Poderes (capas de nove veículos, às 15h) registrava que ela tenha ocorrido. Falta também saber se a PF pedirá ao STF o bloqueio de bens e as quebras de sigilo noticiados às 8h, a confirmação oficial do papel atribuído a Santiago Caputo e a autoridades dos EUA e do Brasil na operação e a confirmação do Departamento de Estado sobre o pedido para retirar “presidente eleito” da carta. A defesa não se manifestou sobre a carta nas fontes lidas, e Flávio não respondeu, nelas, às falas de Marinho e de Valdemar, à nota da coligação de Lula, à mensagem atribuída a Malafaia, à fala de Trump desta quinta nem à explicação de Figueiredo sobre o ChatGPT. A rota até Guayaquil vem do registro argentino; o trecho até Miami, de dados de voo citados pelo Estadão e do pouso relatado por O Globo, g1, Estadão e BBC News Brasil com base em imagens de TV. Os Poderes leu diretamente os textos de O Globo, do g1, do Estadão e da BBC News Brasil (desta manhã), da CNN Brasil, do Globo, do Estadão, do g1 e do Poder360 (anteriores) e o do UOL (até a consulta de terça); a carta, a fala de Trump, a nota do TSE e o registro da CBP foram lidos em Poder360, g1 e CNN Brasil (até as 20h15 de quarta); a entrevista de Tarcísio, no Estadão (às 21h12); a fala da defesa e as postagens de Eduardo e Ramagem, na CNN Brasil (às 22h14); as falas de Marinho, em O Globo e Poder360, a autorização a Valdemar, o documento do voo e a crítica dos democratas, no g1 (às 23h); a nota da coligação de Lula, no Poder360 (às 0h15 de quinta); a coluna de Malu Gaspar, no Globo, e o relatório da OEA, no Poder360 (à 1h de quinta); o levantamento sobre os votos após as 17h, na BBC News Brasil (às 2h de quinta); a apuração do governo sobre a rota, na CNN Brasil (às 4h de quinta); a coluna de Bela Megale e a reportagem sobre o vácuo na direita, no Globo, e o resumo do editorial, no Poder360 (às 5h de quinta); a reportagem do Clarín relatada pela CNN Brasil, a análise de Andréia Sadi no g1 e o texto da Agência Senado no Poder360 (entre 8h15 e 8h20 de quinta); os relatos sobre a PF e as falas de Valdemar, na CNN Brasil (às 10h14), e a contagem das faltas, no Poder360 (8h34, lida às 9h15), além dos trechos abertos da Folha e da Veja; a nova fala de Trump (12h03) e o arquivamento das cinco investigações (10h26), em O Globo (lidos às 12h15); as falas de Valdemar depois da visita, na CNN Brasil (11h40), e o pedido dos EUA sobre a carta e o levantamento dos partidos, no g1 (lidos às 13h); o resumo do relato do NYT sobre o jato, na CNN Brasil (14h41), a explicação de Figueiredo, no Poder360 (14h39), e o recuo de Flávio, em O Globo (14h14, atualizado 14h28), lidos às 15h14. O comunicado argentino foi lido em reprodução da CNN, do Poder360, do Globo e do UOL, e as informações da Reuters, do NYT, da AFP, da Folha e do Metrópoles vêm de reproduções e resumos citados nas fontes abaixo. O registro da CBP sobre o passaporte diplomático foi lido apenas nos relatos de O Globo, CNN Brasil e Estadão.

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