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Ministros do STF veem erro em ordem de Moraes sobre passaporte, diz reportagem

Quatro ministros, dois deles ligados a Moraes, avaliam que a apreensão foi precipitada e alimenta o discurso de perseguição, segundo a coluna de Bela Megale. A PF diz que havia risco concreto de fuga; Moraes não se manifestou nos textos lidos.

O ministro Alexandre de Moraes fala ao microfone sentado a uma mesa, ao lado de outros participantes de uma reunião
O ministro Alexandre de Moraes em cerimônia em Brasília, em 29/07/2026. Foto de arquivo: Luiz Silveira/STF — domínio público. A imagem não registra a decisão sobre o passaporte de Flávio Bolsonaro. Origem da fotografia.

Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal consideram um erro a decisão de Alexandre de Moraes de mandar apreender o passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo a coluna de Bela Megale, de O Globo, atualizada às 19h42 desta terça-feira (27). Segundo o jornal, dois dos quatro integram a ala alinhada ao próprio Moraes; os ministros não são identificados. Os textos lidos não registram manifestação de Moraes sobre as críticas.

O que os ministros criticam, segundo O Globo

Para esses magistrados, a ordem, expedida na noite em que Flávio foi derrotado por Lula (PT), parece precipitada e sem motivo fático consistente. O jornal descreve três elementos usados na decisão: a declaração de Eduardo Bolsonaro de que o irmão deveria deixar o Brasil se perdesse; fotos de Flávio com o advogado Willer Tomaz, para mostrar a amizade entre ambos; e uma conta bancária ligada a Tomaz na qual o senador figuraria como “usuário master”. Segundo O Globo, dados do banco repassados à PF negaram que Flávio fosse usuário dessa conta.

Os ministros ouvidos avaliam, ainda conforme a coluna, que a ordem alimenta o discurso de perseguição política que Eduardo tenta difundir e que a saída de Flávio do país tende a reforçá-lo. A coluna acrescenta que uma ala de ministros do governo Lula faz leitura parecida e considerou ruim o momento da decisão, porque a ordem judicial não tem relação com a eleição.

O cronograma da decisão

Conforme a colunista Malu Gaspar, citada por O Globo, a PF pediu a apreensão sete minutos depois de o TSE confirmar a derrota do senador, e Moraes atendeu ainda na noite de domingo (25), sem ouvir antes a Procuradoria-Geral da República. A ordem foi cumprida na manhã de segunda (26), quando Flávio visitava o pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

O que diz a PF

O g1, em texto confirmado pela Folha e pelo Estadão, informou que a PF apontou “risco concreto” de evasão do território nacional em manifestação enviada a Moraes no domingo. Segundo os três veículos, o pedido cita a declaração de Eduardo e o “precedente concreto” de Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos enquanto é investigado. Flávio não entregou os passaportes no prazo e, segundo aliados e fontes citadas pela imprensa, deixou o país com a família.

Outra crítica, dirigida à PF

A CNN Brasil (17h38) registrou que uma ala do STF critica a atuação da PF no episódio, porque não é a primeira vez que um investigado ou condenado pela Corte deixa o país: a ex-deputada Carla Zambelli, que fugiu para a Itália, e Alexandre Ramagem, que saiu em setembro de 2025, durante o julgamento da trama golpista. O blogueiro Oswaldo Eustáquio também deixou o país depois de uma ordem de prisão preventiva de Moraes, segundo a CNN.

O que falta saber

As críticas partem de ministros sem nome, relatadas por duas colunas; nenhum deles se manifestou publicamente nos textos lidos. Também falta a decisão de Moraes sobre os pedidos de prisão e de difusão vermelha feitos pelo PT. A decisão original e o descumprimento e o relato sobre a saída de Flávio estão em matérias próprias.

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