Brasil

Tarcísio diz que aconselhou Flávio a ficar no Brasil e não sabia da fuga

Governador de SP afirma ter dado o conselho com advogados e Rogério Marinho, não julga a decisão do aliado e critica o pedido de passaporte pela PF.

Tarcísio de Freitas, de terno azul, em evento diante de painel da Assembleia Legislativa de São Paulo, ao lado de duas pessoas.
Tarcísio de Freitas na sessão de posse na Assembleia Legislativa de São Paulo, em 1/1/2023. Foto de arquivo: Governo do Estado de São Paulo — CC BY 2.0. A imagem não registra a entrevista atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ao Estadão, em entrevista concedida nesta quarta-feira (28), que aconselhou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a permanecer no Brasil depois da derrota para Lula no segundo turno, mas que não julga a decisão do aliado de ir para os Estados Unidos. Segundo o jornal, essa foi a primeira entrevista exclusiva do governador após a reeleição.

O que ele contou

Tarcísio afirmou que o conselho foi dado em uma reunião na casa dos advogados de Flávio, da qual participaram também o senador Rogério Marinho e outras pessoas, quando se discutia o recado do candidato à nação, que acabou sendo gravado em vídeo. Nessa conversa, de acordo com o governador, a orientação foi de que Flávio não dissesse que não reconheceria o resultado e usasse o caminho jurídico previsto, as ações de investigação da Justiça Eleitoral, em vez de deixar o país.

O governador disse que não sabia do plano de fuga. Segundo o Estadão, a entrevista foi feita minutos antes de Flávio divulgar a carta em que se declara “presidente eleito”; depois, ao saber do texto, Tarcísio afirmou que é preciso respeitar o resultado das urnas, posição que ele já havia manifestado na nota tratada em Tarcísio diz entender ‘indignação’ de Flávio, mas pede respeito às urnas.

Crítica à Polícia Federal

Questionado sobre a saída de Flávio, o governador disse que hoje não há nada de concreto contra o senador e perguntou por que, então, a Polícia Federal pediu o passaporte dele minutos depois da proclamação do resultado. Para Tarcísio, houve intimidação. Ele admitiu que o quadro pode mudar com novas revelações, mas afirmou que, por ora, não vê base para a medida. Disse ainda que é difícil julgar a decisão de Flávio, que tem o pai preso.

A posição é a de Tarcísio e não foi checada com a PF nesta apuração. A corporação, em nota, afirmou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes não autorizava a prisão nem a vigilância de Flávio; veja PF diz que decisão de Moraes não autorizava prisão nem vigilância de Flávio. O quadro completo da fuga está na matéria principal: Já nos EUA, Flávio se diz ‘líder do Brasil’.

O que ainda falta

O texto lido traz apenas a primeira parte da entrevista; não há, nele, resposta de Flávio, da PF ou de Moraes às declarações do governador.

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