EUA

Trump diz que Lula pediu que ele não tomasse partido; eleição foi ‘vergonha’

Um dia depois de dizer que não ia se envolver, o presidente americano afirmou ter sido orientado por Lula a não tomar partido e que falará com ele; EUA ainda não reconheceram a vitória.

O presidente dos EUA, Donald Trump, de terno azul e gravata rosa, aponta com a mão direita num gramado da Casa Branca.

Donald Trump na Casa Branca, em 16/4/2026. Foto de arquivo: Molly Riley/Casa Branca — domínio público. A imagem não registra a declaração desta quinta-feira (29). Origem da fotografia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que as eleições presidenciais brasileiras foram uma “vergonha” e que não tomou partido porque foi orientado a isso por Lula, um dia depois de o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), seu aliado, chegar aos EUA. Segundo O Globo (12h03) e a CNN Brasil (12h12), Trump falou a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral. “Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, disse, segundo a CNN Brasil, que o cita falando de Lula; depois, afirmou que, ao ver o que aconteceu no Brasil, foi “uma desgraça” e “muito vergonhoso”. Ele citou como sinal a queda do mercado brasileiro e disse que conversará com Lula em breve. As fontes lidas não trazem que fatos ele tinha em mente nem provas, e não há reação do Planalto à fala nelas.

O pedido de Lula, segundo a CNN Brasil

A emissora lembra que Lula disse, em entrevista à âncora Christiane Amanpour, da CNN, em setembro, que havia pedido a Trump que os EUA não se metessem nas eleições brasileiras, e que o americano lhe comunicou que não pretendia interferir. A CNN Brasil informa também que os Estados Unidos ainda não parabenizaram nem reconheceram oficialmente a reeleição de Lula, e relata que a Abin alertou, em relatório de agosto ao Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE, para a possibilidade de influência americana no pleito. Essas informações são da emissora; o Os Poderes não leu o relatório da Abin.

O que ele havia dito na véspera

Na quarta (28), depois que Flávio divulgou uma carta golpista em que se dizia “presidente eleito” e, minutos depois, passou a se chamar “líder do Brasil”, Trump disse não querer comentar a carta: “Não vou me envolver”. Na ocasião, afirmou que os EUA deram ao senador uma autorização para entrar no país e chamou a eleição de “muito estranha”, segundo O Globo. Também disse, de acordo com o jornal, que a família Bolsonaro foi tratada de forma injusta no Brasil, e negou ter falado com Flávio depois da eleição. Veja a matéria sobre a fala de quarta. Reportagem do g1 diz que o governo americano pediu a Flávio que tirasse “presidente eleito” da carta (matéria própria).

Críticas de democratas

Parlamentares democratas usaram a chegada de Flávio para atacar o governo Trump, segundo O Globo. O deputado Morgan McGarvey (Kentucky) escreveu no X que a administração diz não querer criminosos no país, “a menos que sejam tão corruptos” quanto o senador brasileiro; o senador Andy Kim (Nova Jersey) comparou a situação ao endurecimento da política para refugiados e imigrantes. São opiniões dos parlamentares; Flávio é investigado em inquéritos no Supremo e nega irregularidades. Mais na matéria sobre as críticas aos vistos.

O que não se sabe

Não há reação do governo brasileiro nem de Flávio à frase desta quinta, nem esclarecimento da Casa Branca sobre o que Trump chamou de “vergonha”, nas fontes lidas. A fala não foi vista em transmissão nem em transcrição pelo Os Poderes, que se baseou nas reportagens de O Globo (12h03, atualizada 12h08) e da CNN Brasil (12h12). O caso principal está na matéria sobre a chegada de Flávio aos EUA.

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