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Partidos da coligação de Lula dizem que Flávio fugiu para evitar a Justiça

Em nota, as legendas que apoiaram o petista também dizem que a contestação do resultado não se sustenta e que Flávio buscou abrigo junto a Trump. O Planalto não se manifestou sobre a carta.

Lula, de camisa azul e chapéu panamá, sorri e segura a aba do chapéu com uma das mãos, no Palácio da Alvorada
O presidente Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 9/7/2026. Foto de arquivo: Ricardo Stuckert/Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a nota da coligação. Origem da fotografia. Condição de uso.

Os partidos da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgaram nesta quarta-feira (28) uma nota em que afirmam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira”. O texto reage à carta que o senador publicou dos Estados Unidos, na qual alega fraude eleitoral sem apresentar provas e se diz “líder do Brasil”, segundo o Poder360, que reproduziu trechos da nota.

O que diz a nota

Segundo o trecho publicado, a coligação afirma que “o Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático” e que o derrotado “buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”. A frase sobre a atuação do presidente americano é uma acusação dos partidos; as fontes lidas não trazem prova dela, e Donald Trump disse nesta quarta que não vai se envolver no caso (matéria própria).

A coligação também rebate o argumento central da carta. Diz que a prorrogação da votação até as 19h foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrições no transporte público e chuvas fortes, e concedida a todo o país. Segundo a nota, foram registrados nesse período 33.866 votos para presidente, 0,026% do total, contra uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos. O Poder360, por sua vez, informa que 34.808 eleitores votaram na prorrogação; a diferença entre os dois números não é explicada nas fontes lidas e ambos são atribuídos aos respectivos autores.

Os partidos citam ainda que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, afirmou que o pleito transcorreu “dentro da mais absoluta normalidade” (nota do TSE), e que todos os partidos, inclusive o PL, reconheceram a legalidade da eleição. A nota afirma que não é a primeira vez que a família Bolsonaro “se recusa a aceitar a vontade das urnas”. O Poder360 lembra que o ex-presidente foi preso por tentativa de golpe de Estado.

Contexto

O resultado oficial deu a Lula 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. O senador saiu do Brasil na noite de terça (27), passando pela Argentina e pelo Equador até os EUA, depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandar recolher seus passaportes (decisão de Moraes). A PF disse, em nota, que a decisão não autorizava prisão; não há mandado de prisão contra ele. A carta e as reações estão no relato sobre o texto e na cobertura do caso. Na mesma noite, o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que não há prova que permita ao PL afirmar que houve fraude (matéria própria).

O que falta saber

O Poder360 diz ter pedido ao Palácio do Planalto, por e-mail, uma manifestação sobre a carta e não ter recebido resposta até a publicação; o presidente Lula não comentou o texto, segundo o veículo, e publicou na rede X uma mensagem sobre o Dia do Servidor Público. Nas fontes lidas, Flávio e sua defesa também não responderam à nota dos partidos. Os Poderes não teve acesso ao texto integral da nota: os trechos vêm da reprodução do Poder360, consultada às 0h15 de quinta (29).

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