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Defesa de Flávio diz ter combinado entregar passaportes e não saber da viagem

Advogado Tracy Reinaldet disse à CNN Brasil que passaria na casa do senador na terça para buscar os documentos e que soube da ida aos EUA pela imprensa; Moraes havia proibido Flávio de sair do país.

Senador Flávio Bolsonaro, em close, fala a jornalistas cercado por microfones, no Senado.
Flávio Bolsonaro dá entrevista no Senado, em 30/4/2026. Foto de arquivo: Andressa Anholete/Agência Senado — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a viagem aos EUA nem a entrega dos passaportes. Origem da fotografia. Condição de uso.

O advogado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tracy Reinaldet, afirmou nesta quarta-feira (28), em entrevista à CNN Brasil, que havia combinado com o parlamentar a entrega dos passaportes à Polícia Federal, como determinara o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o advogado, a saída do país não foi cogitada na reunião da última segunda-feira (26) e ele soube da viagem aos Estados Unidos pela imprensa. A fala é da defesa; os documentos não foram entregues no prazo.

O que o advogado afirmou

De acordo com Reinaldet, o acerto foi feito em reunião sobre questões técnicas do processo: ele passaria na casa do senador na terça-feira (27), prazo final da medida, para buscar os documentos e levá-los à PF. Ao relatar que não esperava a viagem, disse estar no mesmo nível de conhecimento dos jornalistas. Ainda segundo a CNN, o advogado afirmou que não conseguiu falar com Flávio depois da saída do país e que os próximos passos da defesa não estão definidos.

Para a defesa, descumprir a medida cautelar era desnecessário. O advogado sustentou que o Santander, banco que mantém a conta investigada, teria apresentado informações que contestariam a hipótese da PF e que, segundo o banco, o senador não usava a conta e nenhuma transferência foi feita dela para ele. Esse é o argumento da defesa; o Os Poderes não teve acesso aos autos e não verificou a informação de forma independente.

A decisão de Moraes

Segundo a CNN Brasil, Flávio foi intimado na segunda (26) a entregar à PF o passaporte brasileiro e quaisquer documentos de outras nacionalidades ou de viagens internacionais, e ficou proibido de sair do território brasileiro e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo processo. A emissora informa que o senador deixou o país sem entregar os documentos, o que contraria a determinação. Veja também a nota da PF sobre a decisão de Moraes e o resumo dos inquéritos contra o senador no STF.

A investigação

O processo tramita no STF por causa do foro do senador e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e Willer Tomaz. Segundo a CNN Brasil, a principal suspeita da PF é de participação econômica e societária do senador em empresas com Tomaz, sobretudo a Alcazar Holding, em cuja conta bancária ele estaria cadastrado como usuário master, e a investigação identificou movimentações suspeitas de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. São suspeitas em apuração, sem decisão de mérito.

O que falta

Não há, nas fontes lidas, manifestação do próprio Flávio sobre o acordo descrito pelo advogado nem resposta de Moraes ou da PF a ele. A defesa disse que os próximos passos não foram definidos.

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