O pastor Silas Malafaia disse em vídeo publicado nas redes na quarta-feira (28) que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil foi “corretíssima”. No mesmo dia, voltou a circular um trecho de 2022 em que ele criticava a ida de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, e o pastor respondeu que a crítica valia para o ex-presidente e que, depois, mudou de opinião. As falas constam de reportagens do Poder360, da Rádio Itatiaia, do Correio Braziliense e da Gazeta do Povo; o Os Poderes leu as reportagens e não assistiu ao vídeo na íntegra.
O que ele disse sobre a saída
No vídeo, de 3min09, segundo o Poder360, Malafaia perguntou se queriam que Flávio ficasse no país para ser preso sem o devido processo legal. Acusou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de perseguir Jair Bolsonaro e a direita e disse que ele age como agente político, não como magistrado.
Segundo o pastor, a Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte de Flávio sete minutos depois de o TSE confirmar a vitória de Lula, e Moraes mandou apreendê-lo sem consultar a Procuradoria-Geral da República. Ele vê nisso um esquema armado. São afirmações de Malafaia: o Os Poderes não verificou o horário do pedido da PF nem se a PGR foi ouvida.
O que se sabe do caso
Em nota reproduzida pelo Poder360, a PF diz ter pedido ao STF, em 25 de outubro, medidas cautelares como apreensão de passaportes e proibição de sair do país, depois de identificar risco de saída, e afirma que a decisão de Moraes não autorizava prisão nem vigilância permanente (matéria sobre a nota). A defesa de Flávio disse ter combinado a entrega dos passaportes e não saber da viagem (matéria sobre a defesa). Nas fontes lidas, Moraes não se manifestou sobre as falas do pastor.
A fala de 2022
O Poder360 lembrou um trecho em que Malafaia, no documentário Apocalipse nos Trópicos, da diretora Petra Costa, diz ter discordado da viagem de Bolsonaro à Flórida, em dezembro de 2022, depois da derrota para Lula. No trecho, ele afirma que um líder fica, paga o preço e encara a cadeia, e cita a prisão de Lula em 2018. As reportagens lidas não informam quando a fala foi gravada.
Segundo a Itatiaia e o Correio Braziliense, Malafaia respondeu que a crítica se dirigia a Jair Bolsonaro, que na época pensava assim e que depois concluiu que, se o então presidente tivesse ficado, teria sido preso antes. Para ele, o trecho foi gravado antes de ter certeza de que havia perseguição.
Outros aliados e a carta
O bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, também defendeu a saída do senador, segundo o Correio Braziliense, ao dizer que Jesus Cristo ensinou a se proteger de perseguições; o jornal não informa onde nem quando ele falou.
Malafaia separa a defesa da saída da avaliação da carta que Flávio divulgou dos Estados Unidos. Segundo uma coluna de O Globo, em mensagem de WhatsApp ele chamou os filhos de Bolsonaro de jumentos (matéria sobre a mensagem). À Coluna da Basília, do SBT News, disse que o senador errou o tom, que uma carta com falhas e depois corrigida tira credibilidade, e criticou o brasão usado no texto, que, segundo ele, remete à ditadura. Flávio não respondeu, nas fontes lidas.
O que falta saber
- Flávio e a defesa não comentaram, nas fontes lidas, a fala de Malafaia nem o vídeo de 2022.
- Não consta quando o trecho do documentário foi gravado.
- Faltam provas, nas fontes lidas, para as afirmações do pastor sobre o pedido da PF e a consulta à PGR.
O caso integra a cobertura da saída de Flávio do país e de seus desdobramentos. O Os Poderes leu as reportagens citadas entre 11h e 12h de 29/10.






















