O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que retirasse da carta divulgada por ele os trechos em que se apresentava como “verdadeiro presidente eleito”, segundo o blog do comentarista Valdo Cruz, no g1, que ouviu assessores do Departamento de Estado e diplomatas. Aliados do senador dizem que a mudança foi apenas um ajuste de texto. Não há, até aqui, manifestação pública do Departamento de Estado nem de Flávio sobre o pedido.
O que diz a reportagem
Conforme o blog, a avaliação dos assessores americanos foi que a expressão “presidente eleito” poderia dar a entender que o governo de Donald Trump havia acolhido o senador nessa condição, o que criaria problemas para as relações oficiais entre Brasil e Estados Unidos. O texto diz que as duas coisas são distintas: receber Flávio no país, depois de Trump autorizar a entrada dele e um visto humanitário para a família, e reconhecê-lo como presidente eleito, o que, segundo os diplomatas, não está nos planos de Washington.
O blog afirma que a informação foi divulgada antes pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e que a confirmou com diplomatas que acompanharam os fatos de quarta-feira (28). A coluna de Sanches não pôde ser lida pelo Os Poderes, e o relato aqui se apoia no blog do g1.
As duas versões da carta
Na primeira versão, publicada em rede social na quarta-feira, Flávio se apresentou como “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, não reconheceu o resultado do segundo turno e alegou fraude sem apresentar provas. Pouco depois, apagou a publicação e divulgou outra, em que as expressões deram lugar a “líder do Brasil” e “líder”. As diferenças entre as versões estão detalhadas em outra matéria do Os Poderes.
O que está confirmado e o que não está
- Confirmado: existiram duas versões da carta, e a segunda trocou “presidente eleito” por “líder”, o que o próprio blog descreve com base nas publicações.
- Atribuído a diplomatas e assessores, sem nome: que a troca ocorreu depois de uma posição do governo Trump.
- Versão dos aliados de Flávio: ajuste do texto inicial.
- Sem confirmação oficial: o pedido do Departamento de Estado.
O resultado da eleição não está em disputa nos órgãos competentes: o TSE atestou a regularidade do pleito e a vitória de Lula, que terminou com 4,43 milhões de votos de vantagem, segundo o mesmo blog. O PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado, embora tenha dito que os questionamentos deveriam ser esclarecidos pela Justiça. Nesta quinta-feira, Trump disse que não tomou partido na eleição, segundo relatos de imprensa já tratados pelo Os Poderes.
Para acompanhar
Resta saber se o Departamento de Estado ou o gabinete de Flávio comentarão o pedido e se haverá novas explicações sobre a retirada da expressão.






















