Economia

Endividamento das famílias chega a 50,1% da renda, novo recorde, mostra BC

Comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também bateu recorde, em 29,0%. Inadimplência no crédito livre ficou em 6,6% em setembro, e o BC decide os juros na semana que vem.

Torre da sede do Banco Central do Brasil em Brasília, de fachada escura, vista de cima sob céu azul.

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília (recorte de foto de 2010). Foto de arquivo: Banco Central do Brasil — CC BY 2.0. A imagem não registra os dados divulgados nesta quinta-feira (29). Origem da fotografia. Condição de uso.

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior nível já registrado, e o comprometimento da renda com o serviço da dívida atingiu 29,0%, também recorde, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (29) e relatados pela Reuters.

Os números

Indicador Resultado
Endividamento das famílias (% da renda em 12 meses), agosto 50,1% (recorde)
Comprometimento da renda com o serviço da dívida, agosto 29,0% (recorde)
Endividamento sem crédito imobiliário, agosto 31,0%
Comprometimento sem crédito imobiliário, agosto 26,7% (recorde)
Inadimplência no crédito livre (famílias e empresas), setembro 6,6% (igual a agosto, nível recorde)
Estoque de crédito, setembro R$ 7,4 trilhões (+0,4% no mês; +8,6% em 12 meses)
Spread bancário no crédito livre, setembro 35,5 pontos percentuais (34,7 em agosto)

Os dados se referem ao endividamento bancário. A inadimplência no crédito livre, segmento em que os bancos definem as taxas, subiu 1 ponto percentual no acumulado do ano. O crescimento do crédito em 12 meses desacelerou de 9,4% em agosto para 8,6% em setembro.

O que explica, segundo a Reuters

A agência afirma que os números mostram pressão crescente sobre as finanças das famílias, em meio a custos elevados de empréstimos e ao avanço de modalidades mais caras, como cartão de crédito e empréstimos sem garantia. O movimento ocorre mesmo depois de dois programas de renegociação de dívidas do governo Lula, que usaram garantias do Tesouro para apoiar o refinanciamento.

O que vem pela frente

Lula, reeleito no domingo (25), prometeu na campanha realizar um leilão para comprar dívidas de consumidores com desconto dos bancos. A Reuters informa que o Banco Central prepara novas medidas contra a concessão predatória de crédito. O Comitê de Política Monetária se reúne na próxima semana, depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual que levaram a Selic a 13,75% ao ano, segundo a agência. O Banco Central projetou em setembro alta de 9,1% no estoque de crédito em 2026, ante 10,4% em 2025.

Limite desta apuração: os números foram lidos no despacho da Reuters reproduzido pelo UOL; as tabelas do Banco Central não foram consultadas diretamente.

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