O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumula 11 faltas não justificadas em 2026, segundo contagem do Poder360 a partir dos Diários do Senado Federal, e poderia perder o mandato se as ausências chegassem a um terço das sessões deliberativas do ano. Pelas contas da reportagem, esse limite seria de 24 faltas; ainda não há processo de perda de mandato aberto, nas fontes lidas.
A conta
Segundo o Poder360, o Senado realizou 49 sessões de votação até 29 de outubro e prevê mais 23 sessões deliberativas até o recesso, que começa em 23 de dezembro, num total de 72. Um terço de 72 é 24. A reportagem diz que as 11 faltas incluem a da sessão de quarta-feira (28) e as ausências entre o registro da candidatura no TSE e a apuração do resultado. Pela subtração simples, a partir desses números, faltariam 13 ausências para chegar a 24; esse cálculo é de Os Poderes, não da reportagem. A contagem muda se houver licença ou missão autorizada, que não entram como falta, e se o número de sessões convocadas for diferente do previsto.
Quem decide
A Constituição prevê a perda do mandato do parlamentar que deixar de comparecer a um terço das sessões ordinárias de cada sessão legislativa, salvo licença ou missão autorizada. De acordo com o Poder360, a declaração cabe à Mesa do Senado, com ampla defesa, e não depende de votação em plenário. O caminho alternativo, por quebra de decoro, passa pelo Conselho de Ética e exige 41 dos 81 votos para a cassação, segundo a mesma reportagem.
Em 27 de outubro, a deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) anunciou nas redes que pedirá à Mesa do Senado a perda do mandato e a suspensão da remuneração de Flávio por abandono do posto. Nas fontes lidas, não há confirmação de que o pedido tenha sido protocolado.
O que Flávio diz
O senador deixou o Brasil na noite de terça (27) e chegou a Miami na quarta (28), conforme mostram os registros e relatos reunidos na matéria principal. Segundo o Poder360, ele afirma que não fugiu: diz que saiu do país como estratégia política, para escapar do que descreve como perseguição judicial. Ele é investigado em inquéritos no STF e nega irregularidades. O discurso do senador associa, sem apresentar provas, a vitória de Lula a um golpe; o TSE confirmou o resultado, com 51,79% dos votos válidos para Lula, e a missão da OEA ratificou a apuração (veja a matéria sobre o relatório).
O que falta saber
Falta saber se a Mesa do Senado, presidida por Davi Alcolumbre, vai analisar o tema, se Flávio pedirá licença e se a defesa dele contestará a contagem. O Poder360 não trouxe resposta do senador sobre as faltas. Os Poderes não conferiu diretamente os Diários do Senado.






















