O assessor do presidente argentino Javier Milei Santiago Caputo estava em Puerto Iguazú na noite em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e teria acompanhado a operação do aeroporto, segundo reportagem do jornal argentino Clarín relatada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (29). A informação vem de fontes anônimas da Casa Rosada; as fontes lidas não trazem documento nem confirmação oficial do governo argentino.
O que o jornal relata
De acordo com o Clarín, Caputo, que não tem cargo formal no governo mas mantém contato direto com representantes da Casa Branca, viajou de Buenos Aires a Puerto Iguazú em voo comercial, com a equipe. Fontes da Casa Rosada afirmaram ao jornal que ele monitorou o plano desde o início, quando empresas ligadas à embaixada dos Estados Unidos teriam contratado um voo com a companhia argentina Baires Fly, e que sua preocupação central era impedir a divulgação de fotos e vídeos do embarque.
O jornal e a CNN registram ainda que a presença do assessor consta de documentos policiais de uma fiscalização de rotina, às 2h50, na rodovia 12, na província de Misiones, em que ele estava num de dois utilitários da entidade binacional Yacyretá. A CNN escreve “quarta-feira (29)”, mas o dia 29 é quinta; a data exata da fiscalização, portanto, não ficou clara. Na noite de terça (27), por volta das 23h, emissoras locais registraram a chegada de uma van com placa brasileira, vidros escuros e escolta ao aeroporto, segundo a reportagem.
Segundo fontes da Casa Rosada ouvidas pelo Clarín, autoridades brasileiras também sabiam da movimentação. Essa afirmação não foi confirmada por nenhuma fonte brasileira nos textos lidos.
O que já se sabia
A imigração argentina informou que Flávio entrou no país às 22h50 de terça, pela ponte Tancredo Neves, e embarcou num voo privado para Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. O Gulfstream G400 pertence à Baires Fly. A Veja, em trecho aberto, relata que a empresa aparece, segundo o jornal argentino Perfil, em investigação sobre suposto esquema de suborno na compra de medicamentos pela Agência Nacional de Deficiência da Argentina, em que também é citada Karina Milei, irmã do presidente, que nega as acusações. A reportagem não liga essa investigação ao voo de Flávio.
Segundo a CNN, o próprio Caputo debochou nas redes, na terça e na quarta, da cobertura da imprensa sobre o paradeiro do senador. A Folha de S.Paulo, em trecho aberto, diz que as lacunas no trajeto de Brasília até o aeroporto argentino alimentam hipóteses, entre elas a de ajuda da comunicação do governo Milei, “nenhuma delas com provas”, e que a Polícia Federal investiga aeródromos privados perto da tríplice fronteira.
O que falta saber
Não há, nas fontes lidas, manifestação de Caputo, do governo argentino, da Embaixada dos EUA ou da Polícia Federal sobre a reportagem, e não se sabe como Flávio chegou a Foz do Iguaçu. O governo brasileiro, segundo a CNN, apura o papel de Argentina e Estados Unidos (veja a matéria sobre a apuração). O quadro geral está na matéria principal.






















