Um assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato particular usado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na fuga para os Estados Unidos, segundo reportagem do jornal americano The New York Times relatada pela CNN Brasil às 14h41 desta quinta-feira (29). A informação vem de uma fonte anônima “a par da logística” da viagem; não há, nas fontes lidas, confirmação oficial. O Wall Street Journal também atribuiu a Miller, com outros integrantes de um pequeno grupo, a organização do voo, segundo a Folha de S.Paulo.
O que diz a reportagem
De acordo com a CNN Brasil, que resume o texto do NYT, o senador viajou na noite de terça-feira (27) na aeronave, da Argentina para o Equador, onde houve reabastecimento, e depois para Miami. O jornal diz também que Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller e que “o plano foi colocado em prática na segunda-feira, depois que o Sr. Bolsonaro foi orientado a entregar seus passaportes”, segundo a fonte.
A CNN Brasil informa que procurou o Departamento de Estado, a Casa Branca e o próprio Miller e aguarda retorno. Nenhum dos três havia se manifestado, nas fontes lidas, até a consulta.
Quem é Jason Miller
Segundo a Folha, Miller é estrategista político americano, assessor de comunicação de Donald Trump e aliado da família Bolsonaro. Voltou à Casa Branca em agosto para assessorar a campanha dos republicanos nas eleições legislativas e ocupa a função de “special government employee”, categoria de funcionário federal em geral ligada a serviços temporários ou limitados. A reportagem lembra que ele estreitou laços com os Bolsonaros ao comandar a rede social Gettr, esteve na CPAC Brasil de 2021, organizada por Eduardo Bolsonaro, e apoiou publicamente Flávio na campanha.
Ainda conforme a Folha, o WSJ diz que o grupo providenciou o jato em contato com Eduardo Bolsonaro e que a operação começou a ser organizada na segunda-feira (26), após a determinação judicial para que o senador entregasse os passaportes. O NYT também atribui a Miller a organização da aeronave; procurado pelo jornal, ele se recusou a comentar.
Permanência e green card
Segundo a CNN Brasil, Flávio e a família receberam do governo americano uma autorização condicional para ficar nos EUA por até um ano, ou seja, até outubro de 2027, tipo de permissão concedida em casos específicos, inclusive de urgência humanitária. Ainda conforme o NYT, o senador deve pedir um green card “em algum momento”, e o pedido seria processado rapidamente, como o de Eduardo, que obteve o documento em julho, após mais de um ano de espera.
Na quarta (28), Donald Trump confirmou que os EUA permitiram a entrada de Flávio, mas disse “não vou me envolver” ao ser perguntado sobre a carta em que o senador se dizia “presidente eleito” (veja a matéria sobre o registro de permanência).
O que falta saber
Falta confirmação do governo americano sobre o papel atribuído a Miller, além da resposta de Flávio e de Eduardo. A rota e as empresas envolvidas estão sendo apuradas pela Polícia Federal, segundo outras reportagens (matéria própria). O Os Poderes não leu os textos originais do NYT e do WSJ: as informações vêm dos resumos da CNN Brasil e da Folha.






















