Uma vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos desta terça-feira (3) teria efeitos opostos para o Brasil, e os positivos devem predominar, segundo analistas ouvidos pelo Poder360. A reportagem, publicada às 6h de hoje, aponta risco de perda de valor da Bolsa e de juros mais altos no longo prazo, mas também menor chance de novos atos hostis do governo de Donald Trump contra o país, como a alta de tarifas.
O lado do risco
De acordo com o texto, os democratas são favoráveis a taxar as big techs, o que, se aprovado, teria efeito negativo na Bolsa. Também defendem programas que elevam o gasto público, algo que poderia levar a juros mais altos e à valorização do dólar frente ao real e a outras moedas. Com o controle do Congresso, o partido poderia aprovar medidas de pressão fiscal sobre o governo Trump, e um dos efeitos possíveis seria a alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, referência para aplicações no mundo todo. Esses fatores aumentariam a aversão ao risco nos mercados globais e retirariam investimentos do Brasil e de outros emergentes.
O economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, disse à reportagem que os democratas têm maior ímpeto regulatório e que pode haver aumento de pressão sobre as big techs, setor que, segundo ele, paga pouco imposto.
O lado do alívio
Em contrapartida, os democratas são mais alinhados ao governo Lula do que os republicanos, segundo a análise, e mais poder do partido no Congresso reduziria a chance de novas medidas unilaterais de Trump, como a elevação de tarifas. Para Chermont, a proximidade dos democratas com o governo brasileiro pode ajudar Lula caso o partido saia fortalecido, ao criar nos EUA um contraponto que mantenha Trump mais contido.
O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral avalia que uma vitória democrata na Câmara e no Senado interessa a Brasil, México e Canadá, que, segundo ele, aguardam o resultado para medir quanto poder Trump ainda terá para adotar medidas unilaterais. A reportagem registra que as conversas para reverter o tarifaço estão estagnadas desde setembro.
Temas que podem gerar novos embates
Barral ressalva que Lula, reeleito para mais quatro anos, deve levar aos americanos discussões como a regulação das big techs e os minerais críticos, o que pode provocar novos embates entre os dois países. A disposição de Trump para negociar esses temas, segundo o ex-secretário, pode depender do nível de pressão que a Casa Branca sofrerá do Congresso, e ele afirma que são assuntos que seguramente não facilitarão as negociações.
O que ainda não se sabe
Trata-se de avaliação de analistas antes da votação, não de resultado: as urnas apenas começaram a abrir, e o cenário das midterms segue em disputa, com democratas favoritos nas pesquisas e vantagem que encolheu, como o Os Poderes registrou. Sobre o efeito de um Congresso democrata na agenda de Trump para a região, veja também a fiscalização de tarifas e da América Latina. Os números de Bolsa, dólar e juros reais só serão conhecidos após a apuração.






















