Economia

Vitória democrata pode pesar na Bolsa, mas frear tarifas de Trump, diz análise

Analistas ouvidos pelo Poder360 veem risco de Bolsa em baixa e juros maiores no longo prazo, mas menos chance de novos atos hostis dos EUA contra o Brasil.

Fachada da Bolsa de Valores de Nova York, na esquina das ruas Broad e Wall, com pedestres e a estátua de George Washington em primeiro plano

Bolsa de Valores de Nova York, na esquina das ruas Broad e Wall, em 16 de agosto de 2017. Foto de arquivo: Arild Vågen — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a reação dos mercados às midterms. Origem da fotografia. Condição de uso.

Uma vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos desta terça-feira (3) teria efeitos opostos para o Brasil, e os positivos devem predominar, segundo analistas ouvidos pelo Poder360. A reportagem, publicada às 6h de hoje, aponta risco de perda de valor da Bolsa e de juros mais altos no longo prazo, mas também menor chance de novos atos hostis do governo de Donald Trump contra o país, como a alta de tarifas.

O lado do risco

De acordo com o texto, os democratas são favoráveis a taxar as big techs, o que, se aprovado, teria efeito negativo na Bolsa. Também defendem programas que elevam o gasto público, algo que poderia levar a juros mais altos e à valorização do dólar frente ao real e a outras moedas. Com o controle do Congresso, o partido poderia aprovar medidas de pressão fiscal sobre o governo Trump, e um dos efeitos possíveis seria a alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, referência para aplicações no mundo todo. Esses fatores aumentariam a aversão ao risco nos mercados globais e retirariam investimentos do Brasil e de outros emergentes.

O economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, disse à reportagem que os democratas têm maior ímpeto regulatório e que pode haver aumento de pressão sobre as big techs, setor que, segundo ele, paga pouco imposto.

O lado do alívio

Em contrapartida, os democratas são mais alinhados ao governo Lula do que os republicanos, segundo a análise, e mais poder do partido no Congresso reduziria a chance de novas medidas unilaterais de Trump, como a elevação de tarifas. Para Chermont, a proximidade dos democratas com o governo brasileiro pode ajudar Lula caso o partido saia fortalecido, ao criar nos EUA um contraponto que mantenha Trump mais contido.

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral avalia que uma vitória democrata na Câmara e no Senado interessa a Brasil, México e Canadá, que, segundo ele, aguardam o resultado para medir quanto poder Trump ainda terá para adotar medidas unilaterais. A reportagem registra que as conversas para reverter o tarifaço estão estagnadas desde setembro.

Temas que podem gerar novos embates

Barral ressalva que Lula, reeleito para mais quatro anos, deve levar aos americanos discussões como a regulação das big techs e os minerais críticos, o que pode provocar novos embates entre os dois países. A disposição de Trump para negociar esses temas, segundo o ex-secretário, pode depender do nível de pressão que a Casa Branca sofrerá do Congresso, e ele afirma que são assuntos que seguramente não facilitarão as negociações.

O que ainda não se sabe

Trata-se de avaliação de analistas antes da votação, não de resultado: as urnas apenas começaram a abrir, e o cenário das midterms segue em disputa, com democratas favoritos nas pesquisas e vantagem que encolheu, como o Os Poderes registrou. Sobre o efeito de um Congresso democrata na agenda de Trump para a região, veja também a fiscalização de tarifas e da América Latina. Os números de Bolsa, dólar e juros reais só serão conhecidos após a apuração.

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