STF

Gilmar critica condução do TSE e cobra postura de árbitro equidistante

O decano do STF não citou nomes, mas a manifestação, publicada na noite de segunda, foi lida como crítica ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques; Gilmar disse que o colegiado garantiu as eleições.

Montagem com retratos lado a lado do ministro Gilmar Mendes, do STF, e do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE
Montagem: Gilmar Mendes (foto do Senado Federal, de 2016, quando presidia o TSE — origem, CC BY 2.0 condição de uso) e Kassio Nunes Marques (TSE, 12/5/2026, domínio público — origem). Imagens de arquivo, recortadas; não registram a manifestação desta segunda-feira.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, criticou na noite de segunda-feira (2) a condução do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2026. Sem citar nomes, cobrou de quem comanda a Justiça Eleitoral a postura de árbitro equidistante e afirmou que “silêncios e hesitações não são neutros”. O TSE é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques.

O que Gilmar disse

Segundo o Poder360, a manifestação foi publicada no perfil do ministro no X; a CNN Brasil a registra como feita na noite de segunda. Gilmar afirmou que a ausência de manifestações pode abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a resolver o que poderia ter sido decidido na origem e servir de pretexto a quem ataca o sistema eleitoral, que ele classificou como íntegro e confiável. Também disse que a institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição.

O ministro ressalvou que, desta vez, o colegiado do TSE cumpriu seu papel e assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras democráticas, mas acrescentou que a solidez do processo eleitoral não pode depender apenas da força do colegiado.

O contexto

  • Prorrogação da votação: em 25 de outubro, dia do segundo turno, o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que a votação fosse prorrogada até as 19h em todo o país, atendendo a um pedido da coligação de Lula, que havia acionado antes o TSE. Segundo o Poder360, a decisão passou à frente do TSE, a quem cabia decidir; Nunes Marques orientou que as seções abertas funcionassem até as 19h, “em estrito cumprimento à determinação judicial”.
  • Resultado: segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro, diferença de 4,4 milhões. Dados do TSE citados pela CNN Brasil mostram que 34.393 votos foram computados depois das 17h, menos de 1% da diferença final.
  • Nota do TSE: em 28 de outubro, depois de Flávio Bolsonaro deixar o país e publicar uma carta em que alegava fraude sem apresentar provas, segundo a CNN Brasil, Nunes Marques afirmou em nota que as eleições transcorreram com normalidade e que o eleitorado escolheu legitimamente seus representantes. Em comunicado, mencionou a instabilidade na reta final da votação e disse que foi possível entregar o pleito com segurança.
  • Volume de processos: a Justiça Eleitoral recebeu neste ano mais de 100 mil processos ligados às eleições, segundo dados do TSE citados pela CNN Brasil.

O que não está claro

Gilmar não nomeou Nunes Marques nem indicou a quais episódios se referia; a associação com o presidente do TSE e com a prorrogação da votação é feita pelas reportagens. Ainda não há resposta do TSE à manifestação nas fontes consultadas.

Texto publicado em 3 de novembro, às 5h17, com base em reportagens da CNN Brasil (3/11, 1h54) e do Poder360 (3/11), ambas lidas na íntegra às 5h15. A manifestação original de Gilmar não foi consultada diretamente. Contexto relacionado: PGR deve pedir ao STF o fim do inquérito das fake news.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias