O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que uma redução “artificial” da Selic poderia provocar fuga de capitais e levar o dólar à faixa de R$ 6 a R$ 7. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, segundo a Veja, ele criticou a proposta do economista André Lara Resende de mudar a coordenação entre as políticas fiscal e monetária para baixar os juros de forma gradual.
O que ele disse
- Câmbio: ao ser anunciada uma medida desse tipo, “haverá uma fuga de capitais”, segundo Maílson; para ele, “o dólar vai pras alturas: 6, 7 reais”.
- Conselho: o órgão proposto por Lara Resende, que fixaria diretrizes fiscais e monetárias, acabaria orientando na prática os orçamentos dos anos seguintes e interferiria nas atribuições do Congresso, o que ele considera institucionalmente inaceitável.
- Precedente: Maílson lembrou a queda da Selic no governo Dilma Rousseff, quando, na avaliação dele, a pressão presidencial fez a inflação voltar e contribuiu para o impeachment.
- Reservas: o Brasil tem cerca de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, que, para ele, servem de proteção em crises e não deveriam ser usadas para testar uma ideia sem respaldo da comunidade acadêmica internacional.
- Copom: ele defendeu que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% ao ano na reunião desta semana, para preservar a credibilidade diante das incertezas fiscais.
A proposta em debate
Segundo o Poder360, Lara Resende propõe, em artigo publicado em 25 de setembro, criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que defina metas de inflação e de juros para quatro a cinco anos e leve a Selic a 7,5% em 12 meses, com o Banco Central atuando no câmbio para evitar excesso de valorização do dólar; ele cita as reservas de US$ 350 bilhões como “munição”. A ideia ganhou o apoio do economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula (leia mais), e foi rejeitada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que disse que o tabelamento de juros não está na mesa (leia mais).
O que os dados mostram
A meta da Selic em vigor é de 13,75% ao ano, segundo a série do Banco Central consultada em 3 de novembro. Na mesma base, a cotação de venda do dólar foi de R$ 5,34 em 28/10, R$ 5,37 em 29/10 e R$ 5,42 em 30/10, último dia disponível; Maílson citou uma alta de pouco mais de R$ 5 para R$ 5,45 depois da eleição, valor que este portal não conseguiu conferir na série.
O que ainda não é decisão
A proposta de Lara Resende é uma ideia em debate, não uma decisão do governo nem do Banco Central, e o dólar de R$ 6 a R$ 7 é uma projeção de Maílson, não um dado. Não há, nas fontes lidas, manifestação do BC sobre o tema nem do presidente eleito.
Texto elaborado em 3 de novembro, às 3h20, com base no resumo da entrevista publicado pela Veja (lido na íntegra; o vídeo não foi assistido e o texto da Veja informa ser resumo feito com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana), na reportagem do Poder360 de 2/11 sobre a proposta (lida na íntegra) e em séries do Banco Central.






















