Os eleitores dos Estados Unidos votam na terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, as midterms, que renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado define qual partido controlará o Congresso até o fim do governo de Donald Trump, previsto para janeiro de 2029, e funciona como medida de aprovação do presidente, segundo explicativo da BBC News Brasil.
O que será eleito
Os 435 integrantes da Câmara têm mandato de dois anos e todos estão em disputa. No Senado, 35 das 100 cadeiras são renovadas, para mandatos de seis anos. No mesmo dia, há eleições estaduais; a BBC cita as disputas pelos governos da Califórnia, da Flórida, da Geórgia e de Michigan entre as mais observadas. O nome de Trump não está na cédula, embora ele tenha pedido que os eleitores votem como se estivesse.
A conta de cada casa
Os republicanos controlam as duas casas por margem pequena. Na Câmara, têm 218 cadeiras, o mínimo para a maioria, mais um independente que vota com eles. No Senado, têm 53. Para virar a casa, os democratas precisam de 51 cadeiras, porque, em caso de 50 a 50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente, hoje republicano. Segundo a BBC, a parceira CBS News aponta 10 disputas ao Senado e 42 à Câmara que merecem atenção, e a corrida está mais imprevisível por causa da briga entre os partidos sobre o desenho dos distritos: republicanos e democratas redesenharam mapas em estados onde puderam.
O humor do eleitorado
A BBC afirma que, no passado, os eleitores tendiam a punir o partido do presidente nessas eleições. Pelo site de pesquisas Silver Bulletin, Trump começou o segundo mandato com aprovação um pouco acima de 50%; no início de outubro, estava perto de 37%, com 61% de desaprovação. Pesquisa é retrato do momento, não resultado: a votação de terça é que decide. Entre os temas centrais estão a economia (preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia, com inflação acima da meta do banco central americano), a imigração e a regulação da inteligência artificial. Os democratas dizem que as tarifas de Trump encareceram a vida; os republicanos apontam o reforço da segurança na fronteira como promessa cumprida.
O que muda conforme o resultado
- Democratas ganham uma casa: passam a poder pautar projetos próprios e Trump teria dificuldade para aprovar leis, embora possa seguir governando por ordens executivas, que dispensam o Congresso.
- Investigações: comissões poderiam convocar autoridades e pedir documentos. A BBC cita como possíveis alvos acusações de corrupção, o novo salão de baile da Casa Branca e as táticas do serviço de imigração (ICE). Há debate interno entre os democratas sobre abrir ou não um processo de impeachment.
- Democratas ganham o Senado: poderiam dificultar a indicação de juízes e de ocupantes de cargos de alto escalão, inclusive para a Suprema Corte.
- Republicanos mantêm o Congresso: Trump segue com mais facilidade com sua agenda até o fim do mandato.
Para ler também
A matéria sobre o Congresso americano e Flávio Bolsonaro mostra o que os democratas poderiam e não poderiam fazer no caso do senador; 25 deputados democratas já cobraram explicações do Departamento de Estado; e o voto antecipado já bate recorde.
Texto baseado no explicativo da BBC News Brasil, publicado no sábado (31); números de cadeiras e de aprovação são os informados por ela e não foram conferidos em fonte oficial.






















