O Partido Republicano se prepara para uma derrota nas eleições de meio de mandato, nesta terça-feira (3), e tenta reduzir o tamanho da chamada “onda azul” democrata, segundo reportagem do Estadão, com enviado especial a Columbus e Newark, em Ohio. Estado que pendeu para a direita nos últimos anos, Ohio virou um dos laboratórios dessa estratégia, que associa os democratas a temas de gênero e diversidade e ao crescimento da ala socialista do partido. É o que a reportagem relata a partir de entrevistas com estrategistas e candidatos; não há resultado, e a eficácia da tática é incerta.
O que está em disputa em Ohio
Segundo o Estadão, o republicano John Husted, senador em exercício, enfrenta o ex-senador democrata Sherrod Brown, que ocupou a cadeira por 18 anos e perdeu para Bernie Moreno em 2024 por margem pequena. O candidato republicano ao governo é Vivek Ramaswamy. Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras hoje republicanas para controlar o Senado e enxergam Ohio como uma possibilidade real, de acordo com a reportagem. Pesquisa do New York Times com a Universidade Siena, divulgada na segunda-feira (2), já mostrava vantagem democrata em Ohio, segundo cobertura de Os Poderes; veja também as oito disputas decisivas do Senado.
A tática republicana
A campanha republicana quer repetir o que, segundo a reportagem, funcionou para Trump em 2024. Comitês ligados a Husted divulgaram anúncios que atacam Brown por supostamente apoiar cirurgias de mudança de sexo em menores e que o associam à participação de atletas trans em equipes femininas. A campanha também afirma que Brown é um dos políticos mais progressistas do país e tem vínculos com os Socialistas Democráticos da América (DSA), organização que cresce no meio democrata e tem Zohran Mamdani e Alexandria Ocasio-Cortez como porta-bandeiras.
O estrategista Mat Dole, que lidera o Partido Republicano no condado de Licking, admitiu ao jornal que gênero e diversidade pesam menos do que em 2024, mas disse que o tema mobiliza o eleitor republicano. Já o consultor republicano Spencer Gross afirmou que a ala socialista democrata o deixa mais otimista, porque “está ganhando espaço” e os democratas “estão brigando entre si”. Brown chama a ofensiva de “distração” diante dos problemas econômicos e acusa Husted de ser cúmplice de políticas de Trump que elevaram o preço da gasolina e cortaram verbas do Medicaid. Ele também associa o adversário aos data centers, que, segundo a reportagem, têm imagem negativa no estado por causa de contas de luz mais altas, poluição sonora e obras em áreas rurais.
O clima nacional
A aposta é arriscada, nota o Estadão. Pesquisa do New York Times com a Universidade Siena divulgada no fim de outubro, citada pela reportagem, indica que 36% dos americanos aprovam o governo Trump e 59% desaprovam, com motivos como o preço da gasolina e a guerra no Irã. Outro levantamento, da Reuters/Ipsos, divulgado nesta segunda, mostra aprovação de 32%; os números são de institutos diferentes e não se somam nem se comparam diretamente.
O cientista político Paul Beck, da Universidade Estadual de Ohio, disse ao jornal que os republicanos têm vantagem no estado, mas que “a maré está para os democratas pela primeira vez em muito tempo”, e que muitos candidatos do partido tentam se distanciar de Trump. Gross rebate: para ele, esse afastamento é um erro, porque “o presidente Trump é o Partido Republicano”. O ex-deputado republicano Pat Tiberi comparou 2026 a 2006, quando, com George W. Bush na Presidência, a insatisfação com a guerra do Iraque e com a gasolina cara levou os democratas a conquistar Câmara e Senado, inclusive em Ohio. Para Dole, o clima nacional pesa mais na disputa pelo Senado do que na do governo, o que deixa Husted em posição mais difícil do que a de outros republicanos.
O que vem a seguir
A votação é nesta terça-feira (3), e a apuração é feita por cada estado, com resultado que pode levar dias; veja como funciona a contagem e o panorama completo das midterms. Ohio também aparece na reportagem sobre como os estados se preparam para uma eventual contestação de Trump.
Texto publicado em 2 de novembro, às 21h, com base em reportagem do Estadão lida na íntegra nesse horário. Falas e avaliações são atribuídas aos entrevistados; pesquisas são retratos do momento, não resultado.






















