O economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de reeleição de Lula, endossou nesta segunda-feira (2), em artigo, a proposta de André Lara Resende de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. A manifestação, segundo o Poder360, ocorre sob reação negativa do mercado e um dia depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, dizer que o governo não planeja tabelar juros.
O que propõe Lara Resende
Segundo o Poder360, o plano de Lara Resende, um dos elaboradores do Plano Real, prevê um órgão mais amplo que o Conselho Monetário Nacional (CMN), para fixar metas conjuntas de política fiscal e monetária num horizonte de quatro a cinco anos. A proposta inclui reduzir a Selic de forma gradual ao longo de 12 meses, até 7,5% ao ano, e depois estabilizá-la entre 3% e 5,5%. Para isso, seria preciso mudar o modelo atual de definição dos juros pelo Banco Central.
O que diz o artigo de Gabrielli
No texto “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, segundo o Poder360, Gabrielli sustenta que o governo deve buscar a queda dos juros por um ajuste progressivo de gastos e receitas, sem impor austeridade ao eleitorado. Ele afirma que não houve, nas últimas décadas, correlação direta entre o resultado primário e a trajetória dos juros, e que elevar o superávit primário não seria o instrumento adequado para reduzi-los.
- Dívida: os juros altos seriam o principal fator da expansão da dívida pública. A dívida bruta (DBGG) chegou a 82,9% do PIB em setembro, segundo os dados citados no artigo; a líquida está em 69,3%, e 90% dos débitos são em moeda nacional.
- Inflação: a pressão sobre os preços viria de fatores externos, e não de excesso de demanda interna, na avaliação dele.
- Mercado: Gabrielli atribui a alta do dólar e o recuo da B3 após a eleição ao posicionamento do mercado financeiro, que apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e diz que ele tenta pautar o programa do governo eleito.
- Gastos: eventuais contenções não deveriam afetar o salário mínimo real, o BPC, o Bolsa Família nem os pisos constitucionais de saúde e educação; ele defende rever benefícios tributários ineficientes e recuperar créditos de grandes contribuintes.
O que ainda não é decisão
O artigo é uma posição de um coordenador da campanha, não uma decisão do governo. Na véspera, Durigan negou que o governo avalie tabelar a Selic; veja Durigan diz que tabelamento de juros não está na mesa de Lula e Mercadante nega proposta de tabelar juros; Gleisi critica reação do mercado. Não há, nas fontes lidas, manifestação do Banco Central nem do presidente eleito sobre o artigo.
Texto elaborado em 3 de novembro, às 2h15, com base em reportagem do Poder360 de 2/11, lida na íntegra. Este portal não leu o artigo de Gabrielli (PDF) e atribui seu conteúdo à reportagem.






















