As contas do setor público deixaram de melhorar depois de 2024. O resultado primário do setor público consolidado (governo federal, estados, municípios e estatais, sem os juros da dívida) fechou 2024 com déficit de 0,40% do PIB, 2025 com déficit de 0,43% e chegou a 0,52% do PIB em setembro de 2026, no acumulado de 12 meses, segundo a série do Banco Central. Nesse período, a dívida bruta do governo geral subiu de 71,7% do PIB, em dezembro de 2022, para 82,9% em setembro de 2026.
Os números, ano a ano
| Período | Resultado primário, 12 meses (% do PIB) | Dívida bruta (% do PIB) |
|---|---|---|
| Dezembro de 2022 | superávit de 1,25 | 71,68 |
| Dezembro de 2023 | déficit de 2,28 | 73,83 |
| Dezembro de 2024 | déficit de 0,40 | 76,27 |
| Dezembro de 2025 | déficit de 0,43 | 78,64 |
| Setembro de 2026 | déficit de 0,52 | 82,93 |
Fonte: Banco Central, Sistema Gerenciador de Séries Temporais (séries 5793, resultado primário do setor público consolidado em 12 meses, e 13762, dívida bruta do governo geral), consultadas em 8 de novembro de 2026. Na série do resultado primário, valor positivo indica déficit. O dado de setembro é o mais recente disponível.
O que isso significa
A queda do déficit de 2,28% do PIB, em 2023, para 0,40%, em 2024, foi a maior melhora da série recente. Desde então, o saldo ficou na faixa de 0,4% a 0,5% do PIB, de acordo com os dados do próprio Banco Central, sem nova redução, enquanto a dívida bruta continuou subindo. O Tesouro projeta 83,7% do PIB no fim de 2026, 5,1 pontos percentuais acima do fechamento de 2025.
A discussão das contas públicas dominou o início da transição para o quarto mandato de Lula. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as medidas de ajuste só serão apresentadas na segunda quinzena de novembro, depois que o presidente voltar da agenda internacional. Entre as hipóteses já em estudo está mudar o arcabouço para que o contingenciamento reduza os gastos futuros; o que o governo descarta aparece em explicador sobre o ajuste.
Pressão política e econômica
O presidente tem dito que o governo tem responsabilidade fiscal e que “o pobre não pagará a conta” do ajuste. Do lado do mercado, a preocupação com o rumo das contas se soma ao risco de estagnação da economia em 2027. A expectativa dos eleitores também mudou: na pesquisa Quaest divulgada neste domingo, 39% esperam melhora e 39% esperam piora da economia nos próximos 12 meses, primeiro empate da série no terceiro mandato.
Foto de arquivo do prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, em 2017; a imagem não registra os dados fiscais divulgados pelo Banco Central.





















