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Lula rebate críticas fiscais e diz que “o pobre não pagará a conta”

Em reunião do CNPE, na sexta (6), o presidente defendeu a equipe econômica, citou um superávit de 2,8% do PIB e pediu que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresente os números à imprensa; não anunciou medida nova.

O presidente Lula durante a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, em 6/11/2026. Foto: Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, na sexta-feira (6), as críticas de que o governo não tem responsabilidade fiscal e afirmou que “o pobre não pagará a conta”. A declaração foi feita em reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Ele rejeitou a ideia de cortar o orçamento em medidas que beneficiam as classes mais baixas e disse que o governo não levará “o povo pobre a nenhum sacrifício”.

O que Lula disse

  • Equipe econômica: afirmou que ninguém pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a sua equipe, que, segundo ele, trabalha muito, é criticada e briga com outros ministros para remanejar recursos e manter a política fiscal.
  • Superávit: disse que o governo entrega o orçamento deste ano com superávit de 2,8% do PIB, que “não é o que o sistema financeiro quer”, mas o que o governo consegue fazer. O número foi citado por Lula e não foi conferido pelo OsPoderes com base oficial (Tesouro ou Banco Central) nesta edição.
  • Herança: disse que, antes de questionar os resultados, é preciso analisar como o governo recebeu a administração de Jair Bolsonaro (PL).
  • Dívida: comparou a dívida brasileira com a de Estados Unidos, França, Japão e Itália e disse que, perto da nossa, a deles seria o dobro em relação ao PIB; afirmou ainda que os números do Brasil “não correspondem à realidade” e pediu que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, faça uma apresentação à imprensa. Lula não detalhou qual indicador usava.
  • Origem: voltou a dizer que aprendeu a ter responsabilidade fiscal com a mãe, Dona Lindu, que ensinava que ninguém pode gastar mais do que tem.

O que os dados mostram sobre a comparação

No indicador de dívida bruta do Fundo Monetário Internacional para 2026, reunido em matéria do OsPoderes, o Brasil aparece com 97,0% do PIB, abaixo dos Estados Unidos (126,8%), da Itália (137,9%) e do Japão (199,4%). Na mesma matéria, a conta de juros da dívida brasileira, de 8,99% do PIB em 12 meses até setembro, é mais que o dobro da dos EUA e da Itália. Os dois indicadores medem coisas diferentes, e Lula não especificou a base da comparação feita no discurso.

O que ainda não há

Nas informações apuradas até a publicação, o governo não anunciou corte, medida de arrecadação ou data para a apresentação que Lula pediu a Durigan. O discurso se soma à discussão sobre o ajuste fiscal que o governo trava desde a eleição; veja a matéria anterior sobre a promessa de que o pobre não pagará a conta.

Foto: Lula na reunião do CNPE em 6/11/2026, registro de Lula Oficial (CC BY-SA 4.0).

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