Pedro Alliana tomou posse como presidente do Paraguai na sexta-feira (6), poucas horas depois de o Congresso concluir o afastamento de Santiago Peña, e assumiu um país às voltas com a quebra do Ueno Bank. Vice-presidente até então, ele é um quadro de base do Partido Colorado, ligado há anos ao ex-presidente Horacio Cartes, e já havia manifestado a intenção de disputar a Presidência em 2028.
Do interior ao topo do Partido Colorado
Alliana nasceu em Pilar, cidade às margens do Rio Paraguai, no departamento de Ñeembucú, no extremo sul do país. Entrou jovem no Partido Colorado, perdeu a eleição para a prefeitura de Pilar em 2006 e, dois anos depois, foi eleito governador de Ñeembucú, no ano em que o partido perdeu a Presidência pela primeira vez em sua história. Foi eleito deputado em 2013, presidiu a Câmara dos Deputados e teve o mandato renovado para um segundo período.
A cientista política Rocío Duarte, da Universidade Católica de Assunção, descreve Alliana como alguém que conhece a estrutura burocrática do partido em todo o país. Enquanto Peña era visto como o tecnocrata das finanças, Alliana é associado à ligação com a base colorada. A formação acadêmica do novo presidente já foi alvo de controvérsia na imprensa paraguaia.
Relação com Cartes e o peso da crise
Segundo a apuração, vozes políticas paraguaias avaliam que Alliana não chegaria ao cargo sem a aprovação de Cartes, de cujo círculo íntimo fez parte desde que entrou na política. Semanas atrás ele parecia distante do ex-presidente, depois de Cartes tentar impor um nome de vice na chapa; após a queda de Peña, os dois reapareceram juntos em reunião partidária que apoiou o processo contra Peña. Cartes, nota a analista, ficou fora da crise do Ueno Bank, e uma reaproximação das facções é considerada provável.
No discurso de posse, Alliana prometeu que os cidadãos prejudicados pelo colapso financeiro serão “totalmente indenizados” e agradeceu ao partido, reafirmando lealdade aos seus princípios. O poder, observa a análise apurada, não mudou de mãos: o Partido Colorado conteve o impacto político da crise ao trocar Peña por um de seus líderes.
O que está pendente
O desafio imediato é administrar os efeitos da intervenção do Banco Central no Ueno Bank, que deixou milhões de paraguaios e instituições públicas sem acesso a recursos, e as investigações em curso envolvendo Peña. A leitura de analistas é que um desempenho firme na crise pode ajudar o partido a chegar bem posicionado às eleições de 2028.





















