Governo

Lula fará pronunciamento às 20h30 sem anunciar medidas fiscais, diz reportagem

Discurso de 7min44s, gravado na quinta-feira, terá tom de reconciliação e crítica aos juros; propostas para a dívida só chegam ao presidente na segunda quinzena de novembro.

Lula fala ao microfone com um braço erguido por apoiadores, diante de uma bandeira do Brasil

Lula discursa cercado de aliados na noite da reeleição, em 25/10/2026. Foto de arquivo: Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra o pronunciamento em rede nacional deste domingo. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falará em rede nacional de rádio e TV às 20h30 deste domingo (8), no primeiro pronunciamento depois da reeleição, segundo reportagem sobre o texto preparado no Palácio do Planalto. Ainda de acordo com essa apuração, o discurso terá tom de “day after”, voltado a pacificar o país após a disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), e nenhuma medida de ajuste fiscal será anunciada agora, apesar da pressão do mercado. O conteúdo ainda não foi ouvido: o que segue é o que se espera, e esta página será atualizada com o que o presidente efetivamente disser.

O que está previsto

  • Duração e horários: 7 minutos e 44 segundos. Na TV, às 20h30 de domingo; no rádio, às 7h30 de segunda-feira (9). O texto foi gravado na quinta-feira (5).
  • Agradecimento: aos 64.256.232 votos recebidos no segundo turno, em 25 de outubro, com menção à mobilização de homens, mulheres e jovens e aos idosos que foram às urnas.
  • Economia: compromisso com “responsabilidade fiscal” e equilíbrio das contas, sem detalhes do que será feito no quarto mandato; destaque para o que foi feito na retomada do crescimento; reafirmação de que o Orçamento de 2027 foi entregue com superávit; programas sociais consagrados seguem no mandato.
  • Juros: por pedido do próprio Lula, o texto ganhou uma crítica à taxa de juros alta. Ele alterou a versão original, e o discurso cresceu por causa desses acréscimos.

O que fica para depois

As medidas para estabilizar a relação entre a dívida e o PIB só serão apresentadas ao presidente pela equipe econômica na segunda quinzena de novembro, após a viagem que Lula faz a partir de segunda-feira à Turquia, para a COP31, e às Filipinas, para a cúpula da Asean. Na volta, ele deve convidar empresários a uma nova reunião no Alvorada. Sobre o conteúdo em estudo, veja o que o governo estuda e o que descarta.

A equipe do quarto mandato também segue indefinida. O ministro da Fazenda atual, Dario Durigan, foi elogiado em reunião a portas fechadas na quinta-feira, e comenta-se que pode permanecer por mais tempo, mas nada está decidido, segundo a reportagem. O nome do titular da pasta no próximo governo continua em aberto, e o anúncio da nova equipe deve ficar para meados de dezembro. A mesma reunião teve críticas à interrupção do ciclo de queda dos juros pelo Banco Central, e os economistas presentes alertaram contra a polarização entre ajuste fiscal e programas sociais.

O quadro político em que o discurso ocorre inclui a aprovação de 48% e desaprovação de 44% do governo, na primeira pesquisa Quaest após a eleição.

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