Governadores eleitos ou reeleitos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno passaram a defender uma relação institucional e pragmática com o presidente Lula (PT) na próxima gestão, segundo reportagem publicada neste domingo (8). Nenhum dos 15 governadores que apoiaram o senador no segundo turno endossou a carta divulgada em 28 de outubro, em que Flávio, já nos Estados Unidos, se diz “líder do Brasil” e fala em fraude eleitoral, sem apresentar provas.
Silêncio sobre Flávio e foco na gestão
Um levantamento das redes sociais de cinco governadores (Tarcísio de Freitas, Sergio Moro, Luciano Zucco, Douglas Ruas e Celina Leão), entre 28 de outubro e 7 de novembro, não encontrou publicações que citassem o senador. Os posts tratam de transição, nomeação de secretários e entregas de obras. Tarcísio (Republicanos), reeleito em São Paulo, disse após a carta que o caminho é respeitar o resultado das urnas e olhar para a frente. A mudança de tom acompanha a necessidade de atrair investimentos federais e de enfrentar problemas fiscais nos estados.
O que dizem e o que enfrentam
- Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos): governador eleito, precisará negociar uma dívida de R$ 180 bilhões com a União; o déficit do orçamento mineiro de 2027 é estimado em R$ 10 bilhões. Mesmo tendo apoiado Flávio, prega o fim da polarização para pacificar o país.
- Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL): eleito no primeiro turno com apoio de Flávio, diz que terá uma relação institucional e produtiva com o governo federal, para trazer obras e políticas sociais ao estado.
- Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL): promete defender os interesses do estado acima das diferenças partidárias e fala em “grave situação fiscal”. A dívida gaúcha com a União passa de R$ 100 bilhões; o pagamento está suspenso desde maio de 2024, por causa das enchentes, e a suspensão termina em abril de 2027. O estado articula a adesão ao Propag, programa de renegociação de dívidas estaduais.
- Paraná, Sergio Moro (PL): disse que a eleição passou e que o foco é governar o Paraná, mas afirmou que “continuaremos na oposição” em nível nacional, com cooperação “nas boas causas”.
- Distrito Federal, Celina Leão (PP): enfrenta a crise do Banco de Brasília (BRB), que tentou comprar o Banco Master, e busca desde maio uma saída com o governo federal. Em setembro, Lula afirmou publicamente que o governo federal não vai dar dinheiro ao BRB. Celina diz estar disposta a dialogar com o presidente quando necessário.
O que está em aberto
As falas são declarações de intenção: não há, até agora, anúncio de reunião, acordo ou medida concreta entre o Planalto e os governadores. O movimento ocorre enquanto o PL tenta se reorganizar no Congresso depois da derrota; veja a pesquisa sobre a saída de Flávio do país e a divisão da direita.
Foto de arquivo de Tarcísio de Freitas em evento em São Paulo, em março de 2026; a imagem não registra a posição dos governadores sobre o governo Lula.





















