Economia

Juros da dívida custam 9% do PIB ao Brasil, mais que o dobro de EUA e Itália

Em 12 meses até setembro, conta de juros do setor público chegou a R$ 1,2 trilhão; EUA gastam 3,3% do PIB, Itália 4,2% e Japão cerca de 2%, com dívidas maiores

Cédula de 20 reais do Banco Central do Brasil, com a imagem de um mico-leão-dourado, sobre uma mesa
Cédula de 20 reais, em 6 de dezembro de 2018. Foto de arquivo: Oleg Yunakov — CC BY-SA 4.0. Origem da fotografia. Condição de uso.

O setor público brasileiro gastou R$ 1,205 trilhão com juros nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, o equivalente a 8,99% do PIB, segundo as estatísticas fiscais do Banco Central. A proporção é mais que o dobro da registrada nos Estados Unidos e na Itália e cerca de quatro vezes a do Japão. Esses três países devem mais do que o Brasil em relação ao tamanho de suas economias.

Um ano antes, nos 12 meses até setembro de 2025, a conta de juros do Brasil era de R$ 984,8 bilhões, ou 7,89% do PIB. O aumento foi de R$ 220 bilhões.

A comparação

País Juros no período % do PIB Dívida bruta (% do PIB, FMI, 2026)
Brasil (12 meses até set/2026) R$ 1,205 trilhão 8,99% 97,0%
Estados Unidos (ano fiscal 2026) US$ 1,05 trilhão cerca de 3,3% 126,8%
Itália (previsão 2026) € 96,9 bilhões 4,2% 137,9%
Japão (orçamento 2026) ¥ 13 trilhões cerca de 2% 199,4%

Nos Estados Unidos, os juros líquidos da dívida federal somaram US$ 1,052 trilhão no ano fiscal encerrado em 30 de setembro, 8,4% a mais que no ano anterior, segundo o Departamento do Tesouro. O valor equivale a cerca de 3,3% do PIB, pela estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO). Na Itália, o Ministério da Economia prevê para 2026 gasto de € 96,9 bilhões com juros, ou 4,2% do PIB, no documento de finanças públicas apresentado em outubro; a dívida italiana deve fechar o ano em 138,1% do PIB, pela conta do governo. No Japão, o orçamento do ano fiscal 2026, que começou em abril, reserva ¥ 13,04 trilhões para juros e descontos de títulos, dentro de um gasto total de ¥ 31,3 trilhões com a dívida, que inclui amortizações.

Dívida menor, juros maiores

Pelos dados do Fundo Monetário Internacional, que usam a mesma metodologia para todos os países, a dívida bruta do governo geral do Brasil deve chegar a 97% do PIB em 2026, contra 126,8% nos EUA, 137,9% na Itália e 199,4% no Japão. Pelo critério do Banco Central, a dívida bruta brasileira estava em 82,9% do PIB em setembro, e a líquida, em 70%.

O peso maior dos juros vem do custo do dinheiro e do perfil da dívida. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e o custo médio da dívida pública federal nos 12 meses até julho foi de 12,45% ao ano, segundo o Tesouro Nacional. Pouco mais da metade da dívida (51,1% em julho) é formada por títulos atrelados a taxa flutuante, sobretudo a Selic, o que faz qualquer alta de juros chegar logo à conta. O prazo médio da dívida federal é de cerca de quatro anos.

Limites da comparação

Os números não medem exatamente a mesma coisa. O dado brasileiro são os juros nominais do setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais), que incluem o resultado das operações de swap cambial do Banco Central. O americano cobre só a dívida federal, o japonês é a previsão do orçamento do governo central e o italiano, a previsão para todo o governo. O Brasil também tem inflação mais alta que os outros três países, o que eleva os juros nominais. As proporções sobre o PIB são as calculadas por cada fonte ou aproximadas a partir delas.

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