Seis em cada dez brasileiros consideram errada a decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o país rumo aos Estados Unidos cerca de 48 horas depois de perder o segundo turno para Lula, aponta a pesquisa “O Brasil depois das urnas”, do instituto Quaest, divulgada neste domingo (8). Para 62% dos entrevistados a saída foi uma atitude errada, e 29% a consideram acertada. O levantamento também perguntou sobre a reação de Flávio ao resultado eleitoral: 59% são contra o discurso em que ele questiona a vitória de Lula, e 34% o apoiam.
Ficha técnica
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 30 de outubro e 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O contratante e o número de registro da pesquisa não foram informados nas informações apuradas pelo OsPoderes. Como a coleta terminou em 2 de novembro, ela não mede o efeito de fatos posteriores, como a preventiva decretada contra o ex-presidente do Paraguai ou as articulações do PL no Congresso.
A direita não bolsonarista está dividida
O ponto central é o recorte por identificação política. Entre esquerda, lulistas e bolsonaristas, as opiniões seguem o esperado. Na direita que não se declara bolsonarista, há empate técnico: 46% avalizam a viagem e 45% a criticam. Sobre o motivo da saída, o grupo também se divide: 51% acreditam que Flávio se protege de perseguição política e 42% que busca fugir da Justiça. No conjunto dos entrevistados, o placar é de 56% a 35% a favor da leitura de que a viagem é uma forma de escapar das investigações, entre elas os inquéritos sobre o caso Master e sobre o advogado Willer Tomaz, que tramitam no Supremo. Flávio ainda não se manifestou sobre a pesquisa nas informações apuradas até agora.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avalia que os dados mostram uma direita fissurada, com espaço para outras lideranças conduzirem a oposição, mas ressalva que a pesquisa não indica o fim do bolsonarismo: há cerca de um terço do eleitorado ainda muito aderente às narrativas do grupo.
Comparação com 2022 e entre eleitores de Flávio
- Apoio ao questionamento do resultado: 34%, o mesmo percentual que apoiava o questionamento feito por Jair Bolsonaro em 2022.
- Avaliação da conduta pós-derrota: 25% aprovam o conjunto de posturas de Flávio e 60% as rejeitam. Sobre Jair em 2022, 41% diziam que ele se comportou bem e 45%, mal.
- Entre quem votou em Flávio no segundo turno: 21% são contra o não reconhecimento do resultado e 24% avaliam que ele se comportou mal.
- Fraude: 30% afirmam que a eleição foi fraudada, percentual estatisticamente igual aos 29% de quatro anos atrás; entre eleitores de Flávio, são 64%, e 28% consideram a disputa limpa. Não há prova de fraude apresentada por Flávio ou por outros, e partidos como União Brasil, MDB e PSDB reconheceram a legitimidade do resultado.
- Sentimento com a vitória de Lula: alegria, alívio e esperança lideram; na direita não bolsonarista, a principal resposta é “decepção” (27%), e entre bolsonaristas, “revolta” (26%).
O que isso muda na política
A divisão aparece também no Congresso, onde o PL tenta se reorganizar para as eleições das Mesas, em fevereiro. Veja a disputa em torno do bloco de apoio a Hugo Motta e a candidatura de Tereza Cristina como terceira via no Senado.
Foto de arquivo de Flávio Bolsonaro no Senado, em abril de 2026; a imagem não registra a pesquisa nem a viagem aos Estados Unidos.





















