Economia

Déficit primário parou em 0,5% do PIB desde 2024; dívida bruta vai a 82,9%

Série do Banco Central mostra que a melhora das contas veio em 2024 e estacionou; a dívida bruta subiu de 71,7% para 82,9% do PIB desde 2022. Ajuste será detalhado na segunda quinzena de novembro.

Fachada de mármore do prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, com carros em movimento na avenida em frente

Prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, em 23 de junho de 2017. Foto de arquivo: Pillar Pedreira/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra os dados fiscais divulgados pelo Banco Central. Origem da fotografia. Condição de uso.

As contas do setor público deixaram de melhorar depois de 2024. O resultado primário do setor público consolidado (governo federal, estados, municípios e estatais, sem os juros da dívida) fechou 2024 com déficit de 0,40% do PIB, 2025 com déficit de 0,43% e chegou a 0,52% do PIB em setembro de 2026, no acumulado de 12 meses, segundo a série do Banco Central. Nesse período, a dívida bruta do governo geral subiu de 71,7% do PIB, em dezembro de 2022, para 82,9% em setembro de 2026.

Os números, ano a ano

Período Resultado primário, 12 meses (% do PIB) Dívida bruta (% do PIB)
Dezembro de 2022 superávit de 1,25 71,68
Dezembro de 2023 déficit de 2,28 73,83
Dezembro de 2024 déficit de 0,40 76,27
Dezembro de 2025 déficit de 0,43 78,64
Setembro de 2026 déficit de 0,52 82,93

Fonte: Banco Central, Sistema Gerenciador de Séries Temporais (séries 5793, resultado primário do setor público consolidado em 12 meses, e 13762, dívida bruta do governo geral), consultadas em 8 de novembro de 2026. Na série do resultado primário, valor positivo indica déficit. O dado de setembro é o mais recente disponível.

O que isso significa

A queda do déficit de 2,28% do PIB, em 2023, para 0,40%, em 2024, foi a maior melhora da série recente. Desde então, o saldo ficou na faixa de 0,4% a 0,5% do PIB, de acordo com os dados do próprio Banco Central, sem nova redução, enquanto a dívida bruta continuou subindo. O Tesouro projeta 83,7% do PIB no fim de 2026, 5,1 pontos percentuais acima do fechamento de 2025.

A discussão das contas públicas dominou o início da transição para o quarto mandato de Lula. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as medidas de ajuste só serão apresentadas na segunda quinzena de novembro, depois que o presidente voltar da agenda internacional. Entre as hipóteses já em estudo está mudar o arcabouço para que o contingenciamento reduza os gastos futuros; o que o governo descarta aparece em explicador sobre o ajuste.

Pressão política e econômica

O presidente tem dito que o governo tem responsabilidade fiscal e que “o pobre não pagará a conta” do ajuste. Do lado do mercado, a preocupação com o rumo das contas se soma ao risco de estagnação da economia em 2027. A expectativa dos eleitores também mudou: na pesquisa Quaest divulgada neste domingo, 39% esperam melhora e 39% esperam piora da economia nos próximos 12 meses, primeiro empate da série no terceiro mandato.

Foto de arquivo do prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, em 2017; a imagem não registra os dados fiscais divulgados pelo Banco Central.

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