Economia

Governo quer enviar hoje MP do Imposto Seletivo e prorrogar IPI em janeiro

Atrasada pela regra da noventena, a cobrança do novo tributo só começaria em fevereiro; a Fazenda propõe manter o IPI em janeiro para os setores afetados, o que depende do Congresso.

Retrato de Dario Durigan, de terno cinza e gravata vinho, em corredor do Ministério da Fazenda
Dario Durigan, em foto de 2023, quando era secretário-executivo da Fazenda. Foto de arquivo: Diogo Zacarias — domínio público. A imagem não registra as reuniões desta semana. Origem da fotografia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira (3) que o governo pretende enviar ainda hoje ao Congresso a medida provisória que define o Imposto Seletivo, o tributo criado pela reforma tributária para itens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Segundo a CNN Brasil, ele se reuniria antes com o presidente Lula. Como a MP está atrasada, a cobrança só começaria em fevereiro de 2027, e a Fazenda quer prorrogar o IPI em janeiro para os setores atingidos, o que precisa de aval do Congresso.

Por que a cobrança fica para fevereiro

O imposto está sujeito à noventena, o prazo mínimo de 90 dias entre a edição da norma e a cobrança. Para valer em 1º de janeiro de 2027, a MP teria de ter sido editada até o começo de outubro, segundo a CNN Brasil. Com o atraso, a equipe econômica trabalha para que a incidência comece em fevereiro.

O que a Fazenda propõe para janeiro

A partir de 2027, o IPI terá alíquota zero para quase todos os produtos e será mantido apenas para preservar a competitividade da Zona Franca de Manaus. Para não perder arrecadação em janeiro, o ministério enviará uma proposta separada que estende o IPI, só naquele mês, aos setores que passarão a pagar o Imposto Seletivo. Durigan afirmou ter feito acordo com todos os setores afetados para manter a carga. A extensão depende de aprovação do Congresso Nacional.

O que está em jogo

  • A proposta orçamentária de 2027 estimava arrecadar cerca de R$ 41,9 bilhões com o imposto seletivo no ano, em torno de R$ 3,5 bilhões por mês, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, conforme a CNN Brasil.
  • Incidirá sobre automóveis de passageiros e veículos de carga mais leves que 5 toneladas (exceto caminhões), à combustão, híbridos e elétricos; aeronaves tripuladas (exceto as espaciais); tabaco e produtos com nicotina; e concursos de prognósticos e fantasy sport, de acordo com a lista publicada pela emissora.

O que ainda falta

O texto e a alíquota da MP não foram divulgados até a consulta, às 10h. O envio ao Congresso é intenção declarada do ministro, não fato consumado, e a prorrogação do IPI ainda precisa ser votada. Esta matéria será atualizada com o conteúdo da MP quando for publicado.

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