Economia

Itaú eleva IPCA de 2027 para 6,1% e corta PIB para 0,5%, diz reportagem

Outras casas revisam ou planejam revisar projeções após a vitória de Lula e a alta do dólar; o Bradesco apresenta novo cenário na sexta-feira (6), e o ministro da Fazenda ainda não foi indicado.

Dois operadores de costas diante dos painéis eletrônicos de cotações no salão da Bolsa de São Paulo
Salão de negociações da Bolsa de Valores de São Paulo, em abril de 2007. Foto de arquivo: Rafael Matsunaga — CC BY 2.0. A imagem não registra as revisões de projeções de agora. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Itaú elevou em 1,5 ponto percentual sua projeção de inflação para 2027, para 6,1% pelo IPCA, e reduziu a estimativa de crescimento do PIB do mesmo ano de 1,2% para 0,5%, segundo reportagem da CNN Brasil publicada neste domingo (1º), às 4h. Outras instituições revisaram ou preparam revisões após a vitória de Lula e a alta do dólar, que subiu 9,17% na semana depois da eleição, de acordo com a reportagem. O número de 6% que aparece no título da reportagem é a projeção de uma única casa; as demais citadas ficam entre 4,5% e 5,5%. Este portal leu a reportagem, não os relatórios das instituições.

O que cada casa projeta, segundo a reportagem

Instituição Projeção ou revisão para 2027
Itaú IPCA de 6,1% (+1,5 p.p.); PIB de 0,5% (antes, 1,2%)
Daycoval pretende subir o IPCA de 4,2% para 4,7%
ASA PIB de 0%, com risco de recessão
Warren IPCA de 5,2%; pode somar 0,3 p.p. pela CBS e passar de 5,5% com estímulo fiscal
Lifetime planeja revisar o IPCA para acima de 5%, sem número divulgado
Banco Pine IPCA de 4,5%; pode revisar
Focus (mediana) IPCA de 4,34%, em alta há semanas

A reportagem diz ainda que XP e Bradesco estão revisando cenários e que o Bradesco deve apresentar o novo quadro na sexta-feira (6). Várias das revisões, portanto, são anunciadas ou previstas, não concluídas.

O que pesa nas projeções

A reportagem cita o dólar, o fim da escala 6×1, o El Niño, a reforma tributária (CBS), os combustíveis e a política fiscal. Uma possível isenção de tarifas de transporte aos fins de semana aparece como fator que poderia puxar a inflação para baixo. A estrategista Andréa Angelo, da Warren, é a fonte do cálculo sobre o efeito da CBS. O texto lembra que o cenário fiscal segue indefinido: o Orçamento de 2027 não foi aprovado e o novo ministro da Fazenda não foi indicado.

Contexto

Este portal já havia mostrado, a partir da Folha de S.Paulo, que economistas elevaram as projeções de inflação para 2027 com o dólar e o El Niño; a disputa interna sobre quem comandará a Fazenda está nesta matéria. A mediana do Focus de 26/10, de 4,34% para 2027, foi coletada antes da eleição; a próxima edição, prevista para terça-feira (3), mostrará se o mercado incorporou o novo cenário.

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