A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva fez saltar as expectativas de inflação do mercado para os próximos anos, segundo pesquisa da corretora BGC Liquidez relatada pela Folha de S.Paulo neste sábado (31). A mediana das estimativas de cerca de 30 participantes, entre gestores e tesourarias de bancos, vê o IPCA em 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028. Este portal não leu o levantamento da corretora: os números abaixo vêm da reportagem.
Quanto subiu
Antes do segundo turno, a última pesquisa Focus, do Banco Central, projetava inflação de 4,34% em 2027 e de 3,75% em 2028. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que põe o teto em 4,5%. A mediana da BGC para 2027 fica, portanto, acima do teto, e a de 2028 se aproxima dele. Segundo a reportagem, 11% dos ouvidos na semana veem inflação ainda maior, acima de 6%, em dezembro de 2027.
| Ano | Focus (antes do 2º turno) | BGC Liquidez (mediana) |
|---|---|---|
| IPCA 2027 | 4,34% | 5,3% |
| IPCA 2028 | 3,75% | 4,3% |
As duas colunas não são comparáveis em rigor: a BGC ouve um grupo pequeno de analistas, que costumam revisar projeções mais rápido, e a Focus reúne mais instituições. A Folha diz que a pesquisa da corretora tende a antecipar em cerca de duas semanas o que aparece na Focus; a próxima edição será divulgada pelo BC na terça-feira (3).
O que explica a alta
O economista de inflação e commodities da BGC, Carlos Thadeu, atribui o salto a dois fatores, segundo a reportagem: a ausência de uma âncora fiscal, com a leitura de que o governo Lula gastará mais, e a valorização do dólar, que foi de R$ 4,99, no fim da semana retrasada, a R$ 5,44 no fechamento de sexta-feira (30). Ele diz que, antes da eleição, o mercado dava o benefício da dúvida a Flávio Bolsonaro, com expectativa de corte de gastos e de Selic menor, e que essa precificação foi desfeita com a vitória de Lula.
A principal pressão sobre o IPCA de 2027, afirma o economista, vem dos preços administrados, influenciados sobretudo pelos combustíveis: o preço é definido no mercado internacional, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e o real mais fraco encarece o produto. Sem os riscos fiscais, segundo ele, o câmbio de equilíbrio ficaria perto de R$ 4,50 ou abaixo disso.
O que ainda não se sabe
São opiniões de analistas de mercado, não projeções do governo nem do BC, e a pesquisa não tem amostra estatística. O quadro só será confirmado pela Focus de terça-feira, e as estimativas dependem de decisões ainda não tomadas, como a política fiscal do novo mandato. Para o contexto, veja a revisão de cenário do Itaú e a queda do Ibovespa em outubro.
A foto de abertura é de arquivo e não mostra preços atuais.






















