Economia

Ibovespa cai 9,88% em outubro, pior entre 13 indicadores; dólar sobe 5%

Dólar turismo (+5,47%) e comercial (+5,21%) lideram altas do mês; Tesouro, poupança e IGP-M superam o IPCA-15, segundo levantamento do Poder360.

Três portas em arco, com grades de ferro, na fachada de pedra da antiga Bovespa, com o nome Bovespa em letras douradas
Fachada da Bovespa, no centro de São Paulo, em 2017. Foto de arquivo: Wilfredor — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra os pregões de outubro de 2026. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 9,88% em outubro e teve o pior desempenho entre 13 indicadores financeiros acompanhados em levantamento do Poder360 com dados até sexta-feira (30). O dólar turismo (+5,47%) e o dólar comercial (+5,21%) lideraram as altas do mês, que o levantamento associa à reprecificação dos ativos brasileiros depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

Quem ganhou e quem perdeu da inflação

O parâmetro usado pelo levantamento é o IPCA-15 de outubro (0,32% no mês, 4,15% em 2026 e 4,62% em 12 meses). Oito dos 13 indicadores superaram essa taxa no mês e quatro ficaram abaixo. O dólar turismo superou o IPCA-15 em 5,15 pontos percentuais e a poupança, em 0,34 ponto. Segundo o mesmo levantamento:

  • Tesouro IPCA 2029: +1,85% no mês, +10,62% no ano e +12,71% em 12 meses;
  • Tesouro Prefixado 2029: +1,60% no mês, +7,40% no ano e +9,09% em 12 meses;
  • IGP-M: +1,66% no mês, +8,52% no ano e +11,77% em 12 meses;
  • BDRs: +0,93% no mês, +10,58% no ano e +11,68% em 12 meses;
  • Poupança: +0,66% no mês, +6,85% no ano e +8,29% em 12 meses.

O Tesouro Selic 2029 teve o maior rendimento nominal em 12 meses entre os indicadores, 14,43%, e foi o único título público analisado com resultado positivo em todas as janelas. O Risco Brasil terminou outubro em 134,87 pontos, 3,45 pontos abaixo do fechamento de setembro, mas ainda acima do de México (92,85), Peru (66,60) e Chile (57), segundo o levantamento.

O que explica o movimento

Para o Poder360, parte dos investidores esperava maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas sob Flávio, que havia saído à frente no primeiro turno. No primeiro pregão depois daquela votação, em 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,70%, para 206.911,89 pontos, e o dólar caiu 4,12%, para R$ 5. Com a vitória de Lula, parte dessa valorização foi revertida e os investidores passaram a exigir prêmio maior para manter ativos brasileiros. A explicação é a do levantamento; a reprecificação reflete expectativas dos investidores, não uma medida do governo eleito, que ainda não tomou posse.

Os números do mês dão o pano de fundo da pior semana da Bolsa desde 2020, tratada na matéria sobre a queda de 18% do Ibovespa em uma semana, e das perdas dos fundos de investimento, na matéria sobre a saída de R$ 157,5 bilhões. A avaliação da agência de risco está na matéria sobre a Moody’s.

Limites desta apuração

Os percentuais são do levantamento do Poder360, que usa o IPCA-15 do IBGE como parâmetro e dados até 30 de outubro; o Os Poderes não recalculou as séries nem consultou a B3 ou o Banco Central. Os percentuais do Ibovespa e do dólar referem-se ao mês, e não à semana. Fonte: Poder360, 31/10/2026, publicada às 8h08, lida na íntegra às 8h20.

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