A expectativa pela escolha do próximo ministro da Fazenda abriu uma disputa de bastidores no PT sobre qual grupo vai influenciar a política econômica até a eleição presidencial de 2030. O embate cresceu depois que o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, passou a ser citado como um dos principais candidatos ao cargo, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na noite de sexta-feira (30).
O que dizem os críticos
De acordo com a Folha, Fonteles terminou a semana sob fogo amigo de integrantes do próprio partido, que apontam a preferência de setores do mercado financeiro pelo seu nome como sinal de risco de um “tesouraço” nas despesas, nos moldes do ajuste fiscal prometido pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado. Parte das críticas circulou em grupos de economistas do PT, que reúnem, segundo o jornal, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-diretor-executivo do FMI Paulo Nogueira Batista. A reportagem não reproduz manifestações individuais dos dois; este portal não consultou os envolvidos.
A resposta de Fonteles
Em entrevista à própria Folha, o governador defendeu um governo mais ousado para melhorar a vida da população, mas com responsabilidade fiscal. Segundo ele, Lula vai “conciliar essas duas agendas”, sem abrir mão dos ganhos sociais. A linha foi repetida em entrevistas a outros jornais e, de acordo com a reportagem, é descrita por auxiliares do presidente como alinhada ao pensamento de Lula, que quer dar mais “frescor” ao próximo mandato. Já noticiamos essa entrevista de Fonteles, na qual ele fala em cortar privilégios.
Quem é o cotado
Aos 41 anos, Fonteles integra o grupo jovem do PT do Nordeste, incorporado ao núcleo da campanha depois que Lula ficou em segundo lugar no primeiro turno, atrás de Flávio Bolsonaro, segundo a Folha. O nome já havia sido apontado como o mais cotado, sem confirmação do presidente, em reportagem anterior registrada aqui.
O que ainda não se sabe
Lula não anunciou o ministro da Fazenda. A Folha informa, em reportagens ligadas à principal, que o mercado cobra rapidez na escolha e que petistas rejeitam a pressão em plena “ressaca eleitoral”; um gestor ouvido pelo jornal avaliou que dizer que o mercado aceitou Fonteles é “forçar a tinta”. Este texto se baseia na reportagem da Folha, de 30/10 (atualizada em 31/10, 0h27); não houve acesso a outras fontes sobre a disputa interna.
A foto de abertura é de arquivo (2024), não da disputa atual.






















