Brasil

13 de 15 governadores que apoiaram Flávio reconhecem vitória de Lula

Levantamento do GLOBO mostra que nenhum dos 15 endossou a carta em que Flávio contesta o resultado sem provas; dois, de SC e RO, não reconheceram expressamente.

Tarcísio de Freitas, de terno azul, ao lado de uma mulher, durante a posse como governador de São Paulo
Tarcísio de Freitas na posse como governador de São Paulo, na Assembleia Legislativa, em 1º de janeiro de 2023. Foto de arquivo: Governo do Estado de São Paulo — CC BY 2.0. A imagem não registra o levantamento sobre governadores eleitos. Origem da fotografia. Condição de uso.

Treze dos 15 governadores eleitos que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno manifestaram-se para reconhecer expressamente a reeleição de Lula, e nenhum deles endossou a carta em que o senador contesta, sem provas, o resultado das urnas. É o que mostra levantamento publicado neste domingo (1º) pelo jornal O GLOBO, que descreve um movimento de aliados em busca de se afastar das atitudes de Flávio, que deixou o país para os Estados Unidos, e de manter pontes com o Palácio do Planalto.

O que dizem os governadores

Segundo a reportagem, a postura mistura disputa por protagonismo na direita, alianças regionais e a necessidade de interlocução com o governo federal. Os exemplos citados:

  • São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito, tornou públicas divergências com a reação de Flávio e defendeu “olhar para frente”, em nota divulgada após a carta. É citado como possível candidato à Presidência em quatro anos.
  • Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos) não quis se manifestar, mas prega nas redes a superação das divergências. Flávio havia prometido rever a dívida do estado com a União, acima de R$ 180 bilhões; o orçamento de 2027 prevê déficit de R$ 10,5 bilhões.
  • Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) disse respeitar a vontade da maioria e pretende manter relação institucional com o governo federal para obter investimentos.
  • Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL) quer relação de diálogo com a União, citando a situação fiscal do estado.
  • Paraná: Sergio Moro reconheceu o resultado, defendeu o esclarecimento de questionamentos da oposição e disse que seguirá na oposição.
  • Distrito Federal: Celina Leão (PP) disse que manterá diálogo com Lula; o governo local busca aval da União para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para capitalizar o BRB.
  • Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP) relatou ter tentado ligar para Lula, sem conseguir contato, e defende a parceria com a União em obras como a Rota Bioceânica.
  • Goiás: Daniel Vilela (MDB) cobrou que o governo não discrimine estados governados por adversários.

Quem não reconheceu expressamente

Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Marcos Rogério (PL), de Rondônia, não haviam reconhecido de forma expressa a vitória de Lula até a data do levantamento, segundo o jornal, embora tenham admitido o resultado desfavorável a Flávio. Jorginho disse em vídeo que “a eleição terminou”, mas que há “questionamentos” a esclarecer; Marcos Rogério lamentou a derrota sem dizer se reconhecia o resultado. Ambos foram procurados e não comentaram.

Contexto

Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, apesar de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a apreensão de seus passaportes e o proibiu de viajar. Na carta divulgada em 28 de outubro, contestou o resultado e disse que lideraria a oposição de fora do país. O levantamento é de O GLOBO; o Os Poderes não refez a contagem dos 15 nomes nem consultou individualmente os governadores.

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