O presidente Lula (PT) pretende condicionar a participação de partidos de centro no quarto mandato à promessa de fidelidade às pautas do governo no Congresso, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (30). De acordo com o texto, que cita aliados, as conversas começam após o feriado, sob condução do presidente do PT, Edinho Silva, e a meta é concluir a composição da nova Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro. Trata-se de planejamento relatado por aliados: Lula, segundo a própria reportagem, desencoraja rumores por ainda não ter iniciado as tratativas.
O critério: votos, e não tamanho da bancada
Diferentemente da montagem do atual mandato, em que, segundo a reportagem, prevaleceu o tamanho total das bancadas, o espaço de cada partido dependeria da expectativa de votos no Congresso. A ideia relatada é que apenas parlamentares leais possam indicar nomes para cargos no Executivo, para evitar que partidos acomodados na Esplanada imponham derrotas ao governo, como em votações passadas. O texto dá um exemplo: o MDB acenaria com a possibilidade de garantir 30 votos ao governo, e o ex-governador do Pará Helder Barbalho estaria entre os cotados para um ministério.
Nomes cotados, segundo a reportagem
- Geraldo Alckmin (PSB): deve assumir um ministério a partir de janeiro; a Defesa é apontada por petistas, e ele também é citado para a Fazenda. Aliados esperam que tenha mais tarefas do que no mandato atual.
- Rafael Fonteles (PT): governador reeleito do Piauí, cotado para a Fazenda; teria de deixar o governo, o que, segundo o texto, ele disse a aliados estar disposto a fazer.
- Camilo Santana (PT-CE): lidera as cotações para a Casa Civil.
- Fernando Haddad: citado para Relações Exteriores ou Educação; poderia chefiar a Casa Civil se Camilo fosse para a Segurança Pública, pasta cuja criação depende da PEC da Segurança.
- Gleisi Hoffmann: apostas de aliados a colocam no Desenvolvimento Social ou, se o senador Rodrigo Pacheco for indicado ao STF, numa vaga no TCU; o nome também é cogitado para a direção-geral de Itaipu.
A reportagem acrescenta que Lula indica a interlocutores que fará mudanças no próprio gabinete, inclusive uma estrutura ligada diretamente a ele para a comunicação pessoal nas redes sociais, sem subordinação à Secretaria de Comunicação. Outra reportagem, do Estadão, já havia apontado Camilo como provável nome da Casa Civil (matéria própria).
O que não está decidido
Nenhum dos nomes foi confirmado pelo governo nas fontes lidas; são cotações de aliados e de bastidores, e este portal não consultou o Planalto nem os partidos citados. A negociação com legendas do centro também aparece em outras matérias do portal, como a da liberação de filiados do União Brasil.






















