O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve continuar no cargo de forma interina depois que seu bloco não conseguiu maioria parlamentar na eleição de terça-feira (27). Com quase 86% dos votos apurados, três emissoras israelenses projetaram 53 das 120 cadeiras do Knesset para o bloco de Netanyahu, liderado pelo Likud, e 48 para a oposição, encabeçada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot. São projeções, não o resultado oficial final, que o Os Poderes não consultou.
As informações foram divulgadas pelo Poder360, que cita a Reuters. Os partidos árabes israelenses devem conquistar 19 cadeiras, número recorde. Para formar governo, um bloco precisa de 61 deputados. Eisenkot dependeria do apoio dos partidos árabes, aliança rejeitada por boa parte das lideranças políticas judaicas do país. Sem maioria definida, Netanyahu segue no cargo enquanto os partidos negociam, e pode permanecer como interino até uma nova eleição, prevista para 2027, segundo a reportagem.
Investigação sobre financiamento externo
O Likud afirmou, sem apresentar provas, que Catar e Turquia financiaram ações para influenciar o voto em comunidades árabes. O presidente do Comitê Central de Eleições, juiz Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet, serviço de segurança interna, investigue suspeitas de financiamento estrangeiro e suborno eleitoral, com prazo de uma semana. O chefe do Shin Bet, David Zini, disse que a votação transcorreu sem anormalidades, e a polícia israelense também havia negado suspeitas de fraude.
O que vem a seguir
Pelo processo descrito pela reportagem, o presidente de Israel, que atua como chefe de Estado, consulta os partidos eleitos para identificar qual líder tem mais chance de formar uma coalizão de ao menos 61 deputados. Em análise publicada pelo g1, o cenário é de semanas ou meses de disputas políticas, e a imprensa israelense especula que Netanyahu poderia usar o período como interino para atacar o Irã — hipótese que a análise trata como especulação. Eisenkot já descartou participar de um governo de unidade nacional e alertou contra escalada da guerra por motivos políticos. A eleição foi a primeira em Israel desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e o início da guerra em Gaza.





















