Os Estados Unidos cancelaram a tradicional foto em grupo dos ministros das Relações Exteriores do G20 depois que diplomatas europeus se recusaram a posar ao lado do chanceler russo, Serguei Lavrov, e ameaçaram abandonar a sessão de fotos. A informação consta de reportagem de O Globo e de agências internacionais publicada nesta sexta-feira (30), a partir de Atlanta. Segundo duas autoridades ouvidas pela Associated Press, o secretário de Estado, Marco Rubio, decidiu na quinta-feira (29) suspender o registro por entender que a controvérsia desviaria a atenção das discussões.
O que está em jogo em Atlanta
A reunião dos chanceleres acontece nesta sexta e no sábado (31), na capital da Geórgia. De acordo com a reportagem, o encontro é marcado por divergências sobre a guerra na Ucrânia, sobre o conflito dos EUA e de Israel com o Irã, sobre as tarifas comerciais americanas e sobre as ações da China no Mar do Sul da China. Washington diz que sua prioridade é a liberdade de navegação (Estreito de Ormuz, Mar Vermelho, Mar Negro e Mar do Sul da China), a segurança energética e alimentar e as cadeias de minerais críticos. A reportagem registra que as chances de entendimento sobre os temas mais controversos são pequenas.
Em nota citada pelo texto, o Departamento de Estado afirma que Rubio vê o encontro como oportunidade de “promover a cooperação prática” em desafios econômicos e de segurança. A delegação chinesa é chefiada por um vice-ministro; a maioria dos países enviou seus principais diplomatas.
Lavrov, Ucrânia e África do Sul
Lavrov raramente viajou a países da Otan desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. Segundo a reportagem, a presença dele provocou desconforto entre aliados ocidentais, em meio à intensificação dos ataques russos, e acontece num momento de deterioração das relações entre Washington e Kiev, depois que o presidente Donald Trump suspendeu novas sanções contra Moscou e limitou temporariamente a assistência logística e de inteligência à Ucrânia. A Ucrânia, que não integra o G20, ficou de fora; autoridades americanas disseram que a decisão foi deliberada. A África do Sul, membro fundador, também não foi incluída, e seu governo disse à AP que a ausência não foi voluntária. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, relatou dificuldades de visto para a delegação russa.
O encontro prepara a cúpula de líderes, prevista para dezembro no clube de golfe de Trump, em Miami. Segundo a reportagem, ainda não está claro se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitará o convite. A reportagem também informa, citando a AP, que Washington orientou governos da região e aliados a se prepararem para possíveis ataques ao território iraniano após as eleições legislativas americanas de terça-feira (3), assim como para uma eventual retaliação de Teerã; este portal não leu a reportagem original da AP.
Relação com o Brasil
O Brasil também está representado em Atlanta: o chanceler Mauro Vieira vai à reunião, anfitriada por Rubio, em meio à crise diplomática provocada pela ida de Flávio Bolsonaro aos EUA (matéria sobre a viagem de Vieira). Lula e Trump devem se reencontrar na cúpula de dezembro, segundo reportagens anteriores (matéria própria). Não há, nas fontes lidas, informação sobre a agenda de Vieira em Atlanta nem sobre a posição brasileira diante da presença de Lavrov.
Fica pendente saber se haverá declaração conjunta dos chanceleres; o texto lido não traz resultado da reunião, que prossegue neste sábado.






















