A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira (30) pelo IBGE traz vários indicadores em patamar histórico no trimestre de julho a setembro, mas nem todos são recorde da série, iniciada em 2012. Pelas tabelas do instituto, a população ocupada e a massa de rendimento batem a máxima; a taxa de desemprego (5,2%) e a renda média (R$ 3.790) ficam perto das melhores marcas, sem superá-las.
Esta matéria complementa a cobertura da divulgação, que traz os demais números da pesquisa.
O que é recorde e o que não é
| Indicador | Agora (melhor da série) | Recorde? |
|---|---|---|
| Ocupados (milhões) | 103,6 (103,6) | Sim |
| Massa de renda (R$ bi) | 387,5 (387,5) | Sim |
| Taxa de desemprego (%) | 5,2 (5,1) | Não |
| Renda média real (R$) | 3.790 (3.811) | Não |
Desemprego: o menor para um 3º trimestre, não de toda a série
A taxa de desocupação ficou em 5,2%: 0,4 ponto abaixo do mesmo trimestre de 2025 (5,6%) e 0,2 ponto abaixo do trimestre anterior, de abril a junho (5,4%). É o menor valor para um terceiro trimestre desde 2012. Mas não é o menor resultado de toda a série: a mínima é de 5,1%, no trimestre de outubro a dezembro de 2025, 0,1 ponto abaixo do atual.
A taxa tem sazonalidade: costuma subir no primeiro trimestre e cair nos seguintes. Foi assim em 2025 (7,0%, 5,8%, 5,6% e 5,1%) e se repete em 2026 (6,1%, 5,4% e 5,2% até agora). Por isso a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior é a mais adequada para medir a tendência.

Renda média: entre as maiores da série, mas abaixo do pico
O rendimento real habitual médio de todos os trabalhos foi de R$ 3.790, com alta de 3,6% (R$ 131) em um ano. Na comparação com o trimestre anterior, as tabelas mostram alta de 1,0% (R$ 37), variação que o IBGE tratou como estabilidade, segundo a Agência Brasil e o Poder360.
O pico da série, nos valores corrigidos pela inflação, é de R$ 3.811, no trimestre de janeiro a março de 2026: R$ 21 a mais que o atual. O resultado de julho a setembro está entre os quatro maiores da série, todos de trimestres encerrados em 2026. A diferença de R$ 21 é menor que a margem de incerteza da pesquisa (o coeficiente de variação do rendimento médio é de 0,7%, ou cerca de R$ 27), então os dados não permitem afirmar que a renda de agora seja menor que a do pico, nem que seja recorde.
Ocupação e massa de rendimento: recorde
A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, a maior da série: 581 mil a mais que no trimestre anterior (alta de 0,6%) e 1,2 milhão a mais que um ano antes (1,2%). O nível da ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está ocupada, também foi recorde, de 59%, segundo a Agência Brasil. A massa de rendimento real habitual, soma do que todos os ocupados recebem, chegou a R$ 387,5 bilhões, igualmente a maior da série: R$ 5,6 bilhões a mais que no trimestre anterior (1,5%) e R$ 17,5 bilhões a mais que um ano antes (4,7%).
O emprego com carteira assinada no setor privado, sem contar domésticos, ficou estável em 39,4 milhões, segundo o Poder360. A taxa de informalidade foi de 37,5% dos ocupados (38,8 milhões de pessoas), contra 37,4% no trimestre anterior e 37,8% um ano antes, segundo a Agência Brasil.
Como os números foram conferidos
As páginas do IBGE bloquearam o acesso automatizado deste portal (erro 403). Os números e as comparações de recorde acima foram calculados a partir das tabelas 4099, 6320, 6381, 6390 e 6392 do Sidra, o banco de dados do instituto, consultadas em 30/10/2026; os valores de renda estão a preços de julho a setembro de 2026. Informalidade, nível da ocupação, carteira assinada e a classificação de estabilidade da renda vêm da Agência Brasil e do Poder360, que reproduzem a divulgação do IBGE. A Pnad é uma pesquisa por amostra, e todos os números têm margem de erro.






















