Economia

Bradesco, Itaú e Santander elevam juros do financiamento imobiliário

Bancos atribuem o reajuste à alta dos juros futuros após a eleição; a Caixa, líder em crédito para imóveis, diz estar em período de silêncio antes do balanço.

Fachada de uma agência do Itaú com letreiro laranja e logotipo azul, numa rua de Sousa, na Paraíba
Agência do Itaú em Sousa (PB), em setembro de 2018. Foto de arquivo: Marcos Elias de Oliveira Júnior — CC0. A imagem não registra o reajuste das taxas. Origem da fotografia.

Bradesco, Itaú e Santander elevaram as taxas de financiamento imobiliário nos últimos dias, segundo reportagem do g1 publicada nesta sexta-feira (30). As novas tabelas passaram a valer na segunda-feira (26) no Bradesco, na quinta-feira (29) no Itaú e nesta sexta no Santander. Em notas enviadas à reportagem, as instituições atribuem o movimento, de modo geral, à alta dos juros futuros. A Caixa Econômica Federal, que lidera as contratações para compra de imóveis, não disse se vai reajustar: afirmou estar em período de silêncio antes de divulgar seu balanço.

O que mudou em cada banco

Banco Taxa antes Taxa depois
Bradesco (taxa principal) 11,99% + TR 15% + TR
Bradesco (clientes Private) 11,70% + TR 13,60% + TR
Itaú (taxa mínima) não informada 12,95% ao ano
Santander (a partir de) 11,69% + TR 12,49% + TR

No Bradesco, que não informou a variação das taxas, os percentuais constam de comunicado enviado a parceiros e obtido pelo g1. No Itaú, o comunicado a parceiros indica que, no segmento Private, a taxa parte de 12,89% + TR e, para não correntistas, chega a 14,85% + TR. O banco diz que o ajuste busca refletir as condições atuais de captação, já que o financiamento depende de recursos captados no mercado.

Por que os juros futuros importam

Segundo a reportagem, o rendimento dos títulos brasileiros de cinco anos passou de 12,87% para 15,39% depois das eleições, alta superior a 2,5 pontos percentuais. Juros futuros refletem as expectativas do mercado para os próximos meses ou anos e podem subir mesmo quando a Selic cai: o texto lembra que, em setembro, a taxa básica teve a quinta redução consecutiva. Os três bancos responderam por cerca de 55% do valor financiado para aquisição de imóveis entre janeiro e setembro, segundo dados da Abecip citados pelo g1.

A advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário ouvida pela reportagem, diz que os aumentos “surpreendem” e, para a maioria dos clientes, ficaram acima de 3 pontos ao ano, o que pode encarecer a parcela e reduzir o valor financiável. Ela recomenda comparar simulações entre bancos e olhar o Custo Efetivo Total (CET), e não apenas os juros.

O que ainda não se sabe

Não há, nas fontes lidas, a taxa anterior do Itaú nem o posicionamento da Caixa; este portal não consultou as tabelas dos bancos. As taxas citadas são as divulgadas aos parceiros e podem variar conforme o perfil de cada cliente. Para o contexto do custo da dívida pública, veja a matéria sobre o custo da dívida federal.

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