Brasil

Grupo religioso diz não reconhecer vitória de Lula e cita fraude sem provas

Comissão de bispos ligada a um movimento religioso pede investigação independente, mas não apresenta provas. A diferença de votos entre os turnos, que ela cita, não comprova irregularidade.

Painel da exposição 'O Caminho do Voto – a jornada da democracia', com a marca Eleições 2026 e a ilustração de uma urna eletrônica
Painel da exposição ‘O Caminho do Voto’, sobre as etapas do processo eleitoral, no Senado, em 4/8/2026. Foto de arquivo: Ton Molina/Agência Senado — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a declaração do grupo religioso. Origem da fotografia. Condição de uso.

Uma comissão internacional de bispos ligada ao movimento religioso Apostolic Confluence Movement divulgou uma declaração em que diz não reconhecer a vitória de Lula (PT) na eleição presidencial e levanta suspeitas de fraude, segundo o Poder360. O grupo não apresentou provas de irregularidades na votação. O documento é datado de segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno.

O que o grupo afirma

Segundo o Poder360, a “Declaração: Possível Fraude Eleitoral no Brasil” foi publicada no Instagram do bispo Leo Assis, em colaboração com o Apostolic Confluence. O texto afirma o “não reconhecimento institucional da vitória anunciada” do petista e questiona o fato de Lula ter somado mais de 10 milhões de votos entre os dois turnos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria crescido cerca de 3,7 milhões. O grupo cita também a abstenção, os votos brancos e nulos e as pesquisas eleitorais para pedir uma investigação técnica independente.

O que os dados mostram

A diferença de votos entre os turnos, observa o Poder360, não comprova fraude: no segundo turno, os votos de candidatos eliminados podem migrar para os dois concorrentes que restam, e a participação e as preferências dos eleitores também mudam. O resultado oficial do TSE deu a Lula 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta (28) que a eleição transcorreu “dentro da mais absoluta normalidade” (nota do TSE).

Por que importa agora

A declaração aparece quando o próprio Flávio contesta o resultado, em carta divulgada dos Estados Unidos, também sem provas (relato sobre a carta). Nessa mesma quarta, o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que não há prova que permita ao PL afirmar que houve fraude (matéria própria). Acompanhe o caso na cobertura principal.

Limites desta apuração

Os Poderes não leu a publicação original no Instagram: as informações vêm do Poder360, consultado às 0h15 de quinta (29). Não foi possível verificar, nas fontes lidas, quantos bispos assinam a comissão nem a representatividade do grupo; o texto não traz, segundo o veículo, resposta do movimento ou do bispo citado.

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