EUA

Trump diz que aceitará resultado das midterms se eleição for ‘honesta’

Segundo análise, presidente repete o padrão de 2020 e questiona a lisura do voto antes da apuração; Departamento de Justiça atua no Alasca e na Califórnia a dois dias da eleição de terça (3).

Montagem de duas fotos: à esquerda, o presidente dos EUA, Donald Trump, sentado à mesa de terno azul; à direita, a fachada do prédio do Departamento de Justiça, em Washington.
Montagem de duas fotos de arquivo: o presidente Donald Trump no Salão Oval, em 17/11/2025 (Casa Branca — domínio público), e o prédio do Departamento de Justiça dos EUA, em Washington, em 31/3/2026 (APK — CC BY 4.0). A imagem não registra o fato atual. Origem da foto de Trump. Origem da foto do prédio. Condição de uso (CC BY 4.0).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu na terça-feira (27) que aceitará o resultado das eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça (3), com uma condição. Perguntado se aceitaria o resultado fosse qual fosse, disse: “Vou aceitar, se forem eleições honestas, sim.” A frase é o ponto de partida de uma análise publicada neste domingo (1º) pela CNN Brasil, que avalia que Trump repete um padrão: alimenta dúvidas sobre o sistema de votação antes da contagem e se coloca como o juiz do que é uma eleição justa.

O padrão de 2020

A análise lembra que, ao perder a eleição presidencial de 2020, Trump alegou fraude sem provas; segundo o texto, funcionários republicanos, tribunais e o próprio Departamento de Justiça da época concluíram que não houve irregularidades. Em 2024, quando venceu, ele não contestou o resultado. Antes das duas votações, afirma a análise, o presidente usou ressalvas parecidas: aceitaria o resultado se a eleição fosse justa, mas não se visse cédulas manipuladas.

As ações do Departamento de Justiça

O texto liga a fala recente a movimentos do governo federal nos dias que antecedem a votação:

  • Alasca. Trump mandou o Departamento de Justiça pedir à Justiça que bloqueie a certificação da eleição para o Senado no estado caso o republicano Dan Sullivan perca. O presidente alega que um segundo candidato, Daniel J. Sullivan, pode confundir eleitores e faz parte de uma conspiração democrata. A Suprema Corte do Alasca decidiu que ele pode concorrer. Segundo o New York Times, citado na análise, democratas ligados à campanha da candidata Mary Peltola recrutaram esse segundo candidato; a campanha de Peltola nega qualquer envolvimento, e ela pediu a um juiz que derrube a ação antes do dia da eleição. Veja a matéria do Os Poderes sobre o caso.
  • Califórnia. Na sexta-feira (30), o departamento mandou o estado identificar supostos não cidadãos nas listas de eleitores e separar as cédulas enviadas pelo correio, com aviso de que autoridades que contassem votos de não cidadãos poderiam responder criminalmente. Um tribunal federal de apelações bloqueou a medida.

O atual procurador-geral, Todd Blanche, disse neste domingo, em entrevista à CNN americana, que o governo não faz nada impróprio no Alasca e quer apenas garantir que vença a pessoa legítima, e negou que o presidente tente controlar uma eleição estadual. Blanche também rejeitou a ideia de que a tentativa de reverter a eleição de 2020 justifique preocupação com as declarações atuais. A análise observa que, em agosto, ele afirmou em entrevista à NBC que não poderia garantir que o departamento agiria sempre de forma independente de Trump.

O que está em jogo e o que ainda não se sabe

Segundo a análise, se Peltola somar um dos quatro ganhos líquidos de que os democratas precisam para obter maioria no Senado, a atuação no Alasca sugere uma campanha jurídica depois da votação; ações semelhantes em outros estados não podem ser descartadas. Trata-se de uma avaliação do autor do texto, e não de fato consumado: até agora há ações judiciais e declarações, mas nenhum resultado contestado, porque a votação só ocorre na terça. Para o que está em disputa nas midterms, veja o explicador do Os Poderes e a matéria sobre as pesquisas.

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