Economia

Petrobras reajusta querosene de aviação em 7,2%, o 4º aumento seguido

Alta de R$ 0,45 por litro vale desde este domingo (1º); estatal cita petróleo caro pela guerra no Oriente Médio e menor refino na Rússia e na Ucrânia. Aéreas dizem que o combustível já passa de 45% dos custos.

Avião de grande porte parado na pista do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com prédios ao fundo
Avião no Aeroporto de Guarulhos (SP), em 8/7/2026. Foto de arquivo: Boaventuravinicius — CC BY-SA 3.0. A imagem não registra o reajuste do querosene. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Petrobras elevou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, a partir deste domingo (1º). O reajuste equivale a R$ 0,45 por litro em relação a outubro e é o quarto aumento consecutivo, segundo o Poder360, que reproduz a nota da estatal.

Por que subiu

A Petrobras atribui a alta à elevação das cotações internacionais do QAV, num cenário de tensão geopolítica no Oriente Médio e de menor capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, por causa da guerra entre os dois países. A empresa diz que a fórmula paramétrica prevista em contrato funciona como amortecedor e que, desde o início do conflito, as variações acumuladas foram maiores nos mercados internacionais do que no Brasil, o que manteria o preço “competitivo”. Na sexta-feira (30), o petróleo Brent fechou a US$ 113 por barril, de acordo com a reportagem.

Sequência de reajustes

  • Agosto: +1,9%
  • Setembro: +13,9%
  • Outubro: +11,7%
  • Novembro: +7,2%

Em junho e julho, a Petrobras havia reduzido o preço em 14,2% e 14,4%, respectivamente. Desde 1º de março, pouco depois do início da guerra no Oriente Médio, o preço médio do QAV acumula alta de 90%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Efeito nas companhias

A Abear informa que o combustível, que antes da guerra respondia por 30% a 32% das despesas operacionais do setor, já passa de 45%. Em agosto, a entidade disse que Latam, Gol e Azul gastaram R$ 5,2 bilhões a mais que o previsto em 2026 com combustível, e a alta dos custos levou as empresas a reduzir a oferta de voos. Desde setembro vale de novo um programa que permite às distribuidoras parcelar os reajustes do QAV em três parcelas mensais.

A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional do combustível, mas o mercado brasileiro é aberto a outros produtores e importadores. Sobre outro tema do setor, veja as regras próprias da aviação no mercado de carbono.

O que falta

A reportagem não informa quanto do reajuste será repassado às passagens; as companhias não se manifestaram sobre o novo aumento no texto consultado.

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