Economia

Crise do Paraguai teria efeito limitado no Brasil; senador alerta para fronteira

A colunista Miriam Leitão vê impacto limitado do Ueno Bank sobre bancos e comércio do Brasil; o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) teme pressão sobre serviços públicos e a Rota Bioceânica, se a crise se agravar.

Ponte da Amizade sobre o rio Paraná, com caminhões na pista e os prédios de Ciudad del Este, no Paraguai, ao fundo
Ponte da Amizade, sobre o rio Paraná, com Ciudad del Este (Paraguai) ao fundo, em 26 de julho de 2007. Foto de arquivo: Ekem — CC BY-SA 3.0. A imagem não registra a crise atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

A quebra do Ueno Bank e a queda do presidente Santiago Peña devem ter, para o Brasil, um impacto econômico limitado, avalia a colunista Miriam Leitão. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), aponta riscos maiores nas cidades de fronteira e em obras de integração, caso a crise se agrave. São duas avaliações, e não balanços oficiais.

Economia: efeito limitado, na avaliação da colunista

Miriam Leitão cita que, entre janeiro e setembro de 2026, o comércio entre os dois países somou US$ 5,84 bilhões, dos quais US$ 3,19 bilhões foram exportações brasileiras. Lembra que grandes empresas brasileiras investem no Paraguai atraídas pelo Regime de Maquila, de tributação reduzida, e que a economia paraguaia cresceu 6,6% em 2025, contra 2,3% da brasileira, com projeção de 4,7% do FMI para este ano.

Para a colunista, não há risco de contaminação dos bancos brasileiros, por causa das regras prudenciais do país, enquadradas no Basileia III, e a crise do Banco Master não contaminou o sistema como um todo. Ela vê traços comuns entre o Ueno e o Master (bancos digitais de crescimento rápido, apoiados em relações com o poder), mas diferenças: no caso paraguaio, o presidente foi acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado e é acusado de favorecê-lo; o Banco Central do Brasil, ao contrário, identificou a fraude do Master. Ela afirma ainda que o episódio reforça a defesa de que o Fundo Garantidor de Créditos proteja o pequeno investidor, e não socorra bancos com problemas de liquidez.

Fronteira e infraestrutura: o alerta do senador

Em entrevista, Nelsinho Trad disse acompanhar a crise com “apreensão e surpresa”. Citou Ponta Porã (MS), separada de Pedro Juan Caballero por uma rua, onde moradores paraguaios já usam serviços brasileiros de saúde, educação e assistência social: um agravamento poderia ampliar a demanda sobre municípios e estados. Ele condicionou o cenário à piora da crise e defendeu que o fundo de garantia de depósitos cumpra suas obrigações.

O senador também citou a Rota Bioceânica, corredor rodoviário planejado para ligar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, que teria poucos quilômetros a concluir do lado paraguaio. Ele disse ter certeza de que a instabilidade “vai gerar uma consequência” sobre o projeto, sem apresentar dados nem prazo.

O que já se sabe sobre o efeito no Brasil

Os dois relatos não foram confirmados por dados oficiais lidos pelo OsPoderes. Sobre exposição brasileira ao Ueno, Itaipu informou não ter recursos brasileiros no banco, e a Moody’s apontou fragilidade institucional no Paraguai. A cobertura completa da queda de Peña e da posse de Pedro Alliana está na matéria principal.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias