A quebra do Ueno Bank e a queda do presidente Santiago Peña devem ter, para o Brasil, um impacto econômico limitado, avalia a colunista Miriam Leitão. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), aponta riscos maiores nas cidades de fronteira e em obras de integração, caso a crise se agrave. São duas avaliações, e não balanços oficiais.
Economia: efeito limitado, na avaliação da colunista
Miriam Leitão cita que, entre janeiro e setembro de 2026, o comércio entre os dois países somou US$ 5,84 bilhões, dos quais US$ 3,19 bilhões foram exportações brasileiras. Lembra que grandes empresas brasileiras investem no Paraguai atraídas pelo Regime de Maquila, de tributação reduzida, e que a economia paraguaia cresceu 6,6% em 2025, contra 2,3% da brasileira, com projeção de 4,7% do FMI para este ano.
Para a colunista, não há risco de contaminação dos bancos brasileiros, por causa das regras prudenciais do país, enquadradas no Basileia III, e a crise do Banco Master não contaminou o sistema como um todo. Ela vê traços comuns entre o Ueno e o Master (bancos digitais de crescimento rápido, apoiados em relações com o poder), mas diferenças: no caso paraguaio, o presidente foi acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado e é acusado de favorecê-lo; o Banco Central do Brasil, ao contrário, identificou a fraude do Master. Ela afirma ainda que o episódio reforça a defesa de que o Fundo Garantidor de Créditos proteja o pequeno investidor, e não socorra bancos com problemas de liquidez.
Fronteira e infraestrutura: o alerta do senador
Em entrevista, Nelsinho Trad disse acompanhar a crise com “apreensão e surpresa”. Citou Ponta Porã (MS), separada de Pedro Juan Caballero por uma rua, onde moradores paraguaios já usam serviços brasileiros de saúde, educação e assistência social: um agravamento poderia ampliar a demanda sobre municípios e estados. Ele condicionou o cenário à piora da crise e defendeu que o fundo de garantia de depósitos cumpra suas obrigações.
O senador também citou a Rota Bioceânica, corredor rodoviário planejado para ligar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, que teria poucos quilômetros a concluir do lado paraguaio. Ele disse ter certeza de que a instabilidade “vai gerar uma consequência” sobre o projeto, sem apresentar dados nem prazo.
O que já se sabe sobre o efeito no Brasil
Os dois relatos não foram confirmados por dados oficiais lidos pelo OsPoderes. Sobre exposição brasileira ao Ueno, Itaipu informou não ter recursos brasileiros no banco, e a Moody’s apontou fragilidade institucional no Paraguai. A cobertura completa da queda de Peña e da posse de Pedro Alliana está na matéria principal.






















