O Uruguai ficou em primeiro lugar no índice global de destinos para aposentadoria de 2026, elaborado pela consultoria de residência e cidadania Global Citizen Solutions. O levantamento compara 46 programas de visto para aposentados e pessoas que vivem de renda passiva, um por país. O Uruguai somou 99,9 pontos de 100, à frente de Ilhas Maurício (99,8), Espanha (99,6), Costa Rica (99,5) e Portugal (99,3), que liderava a edição anterior. O índice foi publicado no fim de setembro.
Completam os dez primeiros Paraguai (98,2), Letônia (98,0), Andorra (97,8), Itália (97,2) e Grécia (95,9). A diferença entre o 1º e o 10º colocado é de 4 pontos. O Brasil aparece em 15º lugar, com 91,4 pontos.
Por que o Uruguai ficou em primeiro
O país não lidera nenhum dos cinco critérios do índice, mas não fica abaixo da 20ª posição em nenhum deles. É o 10º em mobilidade e cidadania, seu melhor resultado, o 11º em procedimentos, o 13º em qualidade de vida, o 17º em custos e o 20º em tributação, seu pior desempenho.
O programa avaliado é a residência por renda. Pela Lei 18.250, a residência permanente é concedida diretamente, sem etapa temporária. A consultoria considera uma renda mínima de US$ 1.700 por mês, embora a lei não fixe um valor. O visto pode incluir cônjuge ou companheiro, filhos de até 25 anos e pais dependentes. A naturalização é possível após três anos de residência para casais e cinco anos para quem vai sozinho.
A tributação é o ponto fraco do país no ranking. Desde 1º de janeiro de 2026, a Lei 20.446 mudou o regime de isenção para novos residentes fiscais, o chamado tax holiday, sobre rendimentos de capital obtidos no exterior. Pelas novas regras, o benefício depende de investimentos imobiliários mais altos do que antes. Decretos de agosto e de setembro ajustaram as condições.
O Brasil no ranking
O programa brasileiro avaliado é o visto de aposentado (Vitem XIV), que exige aposentadoria de pelo menos US$ 2.000 por mês e permite levar pais dependentes. O país está entre os mais rápidos para conceder a residência, com prazo estimado de três a cinco meses, e ficou em 4º lugar no critério de procedimentos, empatado com Cabo Verde. Em mobilidade e cidadania, ficou em 6º, empatado com a Argentina. O caminho para a cidadania leva cerca de quatro anos.
O ponto que mais pesa contra o Brasil é a tributação: o país cobra imposto dos residentes sobre a renda obtida no mundo inteiro, enquanto destinos como Costa Rica e Paraguai tributam apenas o que é ganho dentro do território.
O que o ranking mede
O índice dá notas a cada programa em cinco critérios: qualidade de vida, que tem o maior peso, mobilidade e cidadania, tributação, procedimentos, e custos e investimento. Segundo o levantamento, só quatro países combinam carga tributária favorável com boa qualidade de vida: Uruguai, Ilhas Maurício, Costa Rica e Paraguai. Três deles ficam na América Latina.
A queda de Portugal é atribuída pela consultoria ao caminho mais longo para a cidadania. O ranking resulta da metodologia da própria empresa, que atua na venda de serviços de residência e cidadania. Ele compara as regras de entrada e permanência para estrangeiros com renda própria e não mede o valor das aposentadorias nem aponta um país ideal para todo aposentado.






















