Brasil

Lula e Janones tentam manter o “Exército do Lula” ativo para pressionar Poderes

Reportagens dizem que o governo quer usar o canal de WhatsApp criado pelo deputado eleito para apoiar a agenda do Planalto; Janones foi procurado e não respondeu.

Lula e o deputado André Janones, lado a lado, de braços cruzados e com camisetas pretas com a frase Quem manda é o povo

O deputado André Janones e Lula, em 13/8/2022. Foto de arquivo: Ricardo Stuckert/Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem é de 2022 e não registra os fatos descritos na matéria. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal eleito André Janones (Rede-MG) tentam manter ativa a militância digital que embalou a campanha à reeleição. De acordo com reportagens publicadas nesta semana, a avaliação de aliados é que o Executivo precisará de apoio popular para alinhar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) à agenda do governo. Janones foi procurado para comentar os planos e não respondeu.

O que está em jogo

O “Exército do Lula” é um canal de WhatsApp criado por Janones que, segundo as reportagens, passou de 10 milhões de seguidores no auge do segundo turno. Aliados do governo tentam repetir as estratégias do canal, agora voltadas a divulgar medidas do Planalto e a mobilizar a militância, quando necessário, em confrontos com a oposição.

O primeiro teste citado foi a ação do STF sobre a proibição das bets, relatada pelo ministro Luiz Fux. Na terça-feira (3), Lula convocou os seguidores do canal, em vídeo, a acompanhar a audiência pública sobre o tema. Ele disse que “a sociedade não pode permitir a continuidade das bets”. Em seguida, Janones impulsionou publicações contra a revisão da proibição. Fux, que coordenou a audiência, disse depois que sua percepção é de que as bets devem ser banidas, ao comentar um pedido de vista que ainda não voltou ao plenário.

Lives e viagem

Na quinta-feira (5), Lula e Janones participaram de uma transmissão ao vivo. O presidente elogiou a mobilização e prometeu aparecer em mais conteúdos ao lado do deputado. Ele também sugeriu que Janones o acompanhasse na viagem à Turquia, onde será realizada a COP31, para fazer “livezinhas do nosso ‘Exército’”.

Ressalvas de especialistas

A pesquisadora de comunicação digital Issaaf Karhawi, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que as táticas do canal foram inovadoras, mas nasceram de um contexto eleitoral e se concentram em uma só pessoa. Para ela, sem um objetivo comum como o da campanha, os mesmos recursos podem não produzir o mesmo resultado na divulgação de propostas do governo. Outra reportagem aponta que a fronteira entre apoio ao governo e constrangimento da oposição é tênue e que o limite dependerá do tipo de ação adotada pela militância.

O que ainda não se sabe: como o canal será organizado depois da campanha, se haverá estrutura formal e quais temas serão levados à militância. O OsPoderes não identificou, até a publicação, manifestação pública de Janones sobre o assunto.

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