Economia

Copom mantém Selic em 13,75% por unanimidade e cita incerteza e inflação alta

BC interrompe o ciclo de cortes iniciado em março, eleva as projeções de inflação e não indica quando a queda dos juros pode ser retomada; a próxima reunião é em 8 e 9 de dezembro.

Gabriel Galípolo, de terno escuro e gravata vinho, fala ao microfone à mesa da CPI das Bets, no Senado, ao lado do senador Hiran.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, depõe na CPI das Bets, no Senado, em 8 de abril de 2025. Foto de arquivo: Saulo Cruz/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a reunião do Copom desta quarta-feira (4). Origem da fotografia. Condição de uso.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), por unanimidade, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em março, quando a taxa estava em 15%. O comunicado descreve um cenário de incertezas muito maiores, expectativas de inflação mais altas e atividade em desaceleração, e não indica quando a queda dos juros pode ser retomada.

O que o Copom disse

O colegiado classificou a Selic como substancialmente contracionista e disse que o contexto atual pede “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Segundo o comunicado, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

  • Projeções: no cenário de referência do Copom, o IPCA fica em 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027. Para o segundo trimestre de 2028, o atual horizonte da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%, acima do centro da meta, de 3%.
  • Expectativas: as projeções do boletim Focus para 2026 e 2027, de 5,2% e 4,8%, se afastaram ainda mais da meta desde a reunião de setembro.
  • Riscos: o comitê vê riscos de inflação acima do usual, com viés de alta: câmbio persistentemente mais depreciado, estímulos ao consumo, serviços pressionados e desancoragem das expectativas de longo prazo. Também cita o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, o petróleo e a política monetária mais restritiva nas economias avançadas.
  • Fiscal: o Copom diz que segue acompanhando como a política fiscal afeta a política monetária e os ativos financeiros, e reforça a cautela diante do cenário de maior incerteza.
  • Atividade: os indicadores mostram moderação mais acentuada, sobretudo em setores mais sensíveis aos juros. O mercado de trabalho segue resiliente, mas dá sinais de desaquecimento.

Quem votou

A decisão teve os votos dos sete integrantes do colegiado: o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira.

O que o mercado esperava

A manutenção era a aposta predominante. Em levantamento com 105 instituições financeiras divulgado antes da decisão, 72 projetavam a Selic estável e 33 esperavam corte de 0,25 ponto, para 13,50%. A mudança de expectativa veio depois do segundo turno de 25 de outubro, em que Lula foi reeleito, com alta do dólar, queda da Bolsa e abertura da curva de juros. O dólar fechou a R$ 5,45 nesta quarta, alta de 9,46% sobre os R$ 4,98 da véspera do segundo turno. Antes da reunião, o mercado já apostava na manutenção e o Focus pós-eleição elevava Selic, IPCA e dólar de 2027.

O que vem agora

A ata da reunião será divulgada em 10 de novembro, e o próximo encontro do Copom está marcado para 8 e 9 de dezembro. Até lá, o mercado olha os dados de inflação e atividade e as medidas fiscais do governo para estimar quando o BC poderá voltar a reduzir a taxa.

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