Oriente Médio

Herzog escolhe rival de Netanyahu, Eisenkot, para formar o governo de Israel

Ex-chefe militar tem 67 apoios declarados no Knesset, com os partidos árabes, e até seis semanas para montar uma coalizão; ele diz que não pretende incluí-los no governo.

Retrato de Gadi Eisenkot, de terno azul-marinho e camisa branca, com um bóton da bandeira de Israel na lapela, diante de fundo azul
Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido Yashar, em retrato de junho de 2026. Foto de arquivo: Yahav Trudler (Yahav Studio) — CC BY-SA 3.0. A imagem não registra a decisão deste sábado. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, escolheu Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para tentar formar o próximo governo. A decisão foi anunciada neste sábado (7), depois de dois dias de consultas com todos os partidos eleitos para o Knesset, o parlamento israelense, e é um revés para Netanyahu.

Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido centrista Yashar, terá até seis semanas para costurar uma coalizão. A formalização do mandato está prevista para domingo (8), às 17h em Israel (12h em Brasília).

Eleição sem maioria

A eleição de 27 de outubro não deu maioria a nenhum dos dois principais blocos. O Likud, de Netanyahu, foi o partido mais votado, com 27 cadeiras, mas a aliança de direita e partidos religiosos ligada ao primeiro-ministro ficou com 53 das 120 vagas. O bloco de oposição de Eisenkot obteve 48. Para governar, são necessárias 61.

O resultado também marcou o avanço das legendas que representam a população árabe de Israel, cerca de 21% do país: a Lista Conjunta (11 cadeiras) e o Ra’am, de Mansour Abbas (8), somaram 19, um recorde, com participação recorde de eleitores árabes.

67 apoios, mas sem garantia de coalizão

As duas legendas árabes declararam apoio a Eisenkot nas consultas com Herzog, o que elevou o total de apoios a seu nome a 67 deputados, acima dos 61 necessários. Esse endosso, porém, não significa que elas integrarão um eventual governo: Eisenkot já disse que não pretende incluí-las. Segundo a apuração, o caminho dele até o poder enfrenta obstáculos políticos e divisões dentro da própria oposição.

O que vem agora

  • Domingo (8): cerimônia de formalização do mandato.
  • Até seis semanas: prazo para Eisenkot apresentar uma coalizão com apoio de pelo menos 61 deputados.
  • Pendente: como será composta a base de Eisenkot sem os partidos árabes no governo e qual será a reação de Netanyahu e do Likud.

Os números de cadeiras e apoios foram apurados em reportagens publicadas neste sábado e não foram confirmados em documento do Knesset até a publicação.

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