Economia

Durigan diz que governo debate “ajuste gradual” e nega tabelar juros

Ministro da Fazenda afirma que nada em discussão justifica o medo do mercado e diz que a ideia de Lara Resende é incipiente e tem vários problemas; não há encontro marcado com Lula.

Retrato de Dario Durigan, de terno cinza e gravata vinho, em corredor do Ministério da Fazenda
Dario Durigan, em foto de 2023, quando era secretário-executivo da Fazenda. Foto de arquivo: Diogo Zacarias — domínio público. A imagem não registra as reuniões desta semana. Origem da fotografia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que o governo Lula debate um “ajuste gradual” nas contas públicas e que nada em discussão “justifique o medo” do mercado financeiro, segundo O Globo. Ele voltou a negar que a equipe econômica e o Planalto discutam o tabelamento de juros, após um artigo do economista André Lara Resende ser mencionado por apoiadores do governo, e disse que a proposta é uma ideia incipiente, com “vários problemas”.

O que disse o ministro

  • Ajuste gradual: segundo O Globo, Durigan afirmou que o governo trata de um ajuste que respeite os compromissos de campanha, seja justo com os mais pobres e busque a progressividade do sistema. Ele disse que o debate é incipiente e que as ideias começaram a ser levadas a Lula apenas na semana passada.
  • Sem agenda com economistas: o ministro afirmou que o presidente não tem agenda com outros economistas além das reuniões com ele, e negou que Lara Resende tenha encontro marcado com Lula. Segundo O Globo, ele chamou a proposta de ideia incipiente colocada para debate público, que ainda não é “uma proposta a ser avaliada”.
  • Dever de casa: Durigan disse, segundo o jornal, que o desafio é conciliar a responsabilidade fiscal com o compromisso social assumido por Lula na campanha.

O que propõe Lara Resende

O artigo foi publicado em 25 de setembro pelo economista, um dos formuladores do Plano Real, e foi defendido na internet no domingo pela deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), segundo O Globo. O texto critica a política monetária do Banco Central e propõe um Conselho Fiscal e Monetário para coordenar as duas políticas e fixar metas de médio prazo; o BC manteria a autonomia operacional. A proposta prevê reduzir gradualmente a Selic para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses, com o objetivo de chegar depois a um patamar entre 3% e 5,5%, com planejamento fiscal de longo prazo.

O que veio antes

O debate tem repercutido no governo e no mercado nos últimos dias: veja o que o coordenador do programa de Lula disse sobre o conselho e a análise de Maílson sobre o risco de um corte artificial da Selic para o dólar. Nesta terça, o dólar fechou em seu maior valor do ano e a Bolsa caiu, na véspera da decisão do Copom (leia mais).

O que falta

Não há, segundo as falas do ministro, proposta de tabelamento de juros em análise nem reunião marcada entre Lula e o economista. As medidas do “ajuste gradual” não foram detalhadas na reportagem lida.

Texto publicado em 3 de novembro, com a leitura integral da reportagem de O Globo (9h13, atualizada às 15h23). As falas são as informadas pelo jornal e não foram conferidas em fonte oficial.

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