O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia criar, no quarto mandato, um Ministério da Comunicação Digital, que reuniria secretarias hoje ligadas a outras pastas e daria ao governo uma atuação mais forte nas redes sociais, segundo reportagem de O Globo publicada às 3h30 desta segunda-feira (2). Se a ideia vingar, a expectativa de aliados é que a estrutura fique com o deputado federal André Janones (Rede-MG), que, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, disse planejar integrar a base do governo na Câmara.
Nada está decidido. O presidente do PT, Edinho Silva, que coordenou a campanha de Lula, afirmou ao jornal que a criação da pasta não é certa: segundo ele, Lula ainda não decidiu sobre ministérios, mas considera necessário ter uma área do governo que priorize o diálogo pelas redes.
Como seria a pasta
De acordo com aliados ouvidos pelo jornal, o plano em discussão dá ao ministério autonomia em relação à Secretaria de Comunicação Social (Secom). A nova estrutura herdaria a Secretaria de Direitos Digitais, hoje no Ministério da Justiça e Segurança Pública, e as secretarias de Políticas Digitais e de Estratégias e Redes, hoje ligadas à própria Secom. A princípio, caberia a ela cuidar da regulamentação das redes sociais, outra promessa feita por Lula na noite da vitória. Na gestão atual, o governo não conseguiu adesão do Congresso ao tema.
O que Lula disse
No primeiro discurso após a reeleição, Lula agradeceu Janones mais de uma vez por ter criado o canal de WhatsApp “exército do Lula” e disse que “a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande” na nova gestão. Na mesma fala, defendeu regular as plataformas digitais e afirmou que crime no mundo digital deve ser tratado como crime na vida real. O canal ultrapassou 10,5 milhões de inscritos, segundo a reportagem, e Lula anunciou uma live com o parlamentar na semana que vem.
A posição de Janones
Na chegada a uma agenda, Janones disse que seguirá o que o presidente determinar, seja no ministério, na Câmara ou na liderança. No Fantástico, no entanto, reafirmou que não aceitaria convite para ministro e que seguirá como deputado, como mostrou esta matéria. Pessoas próximas a Lula defendem que ele se filie ao PT para atuar de forma mais integrada, mas ele disse querer permanecer na Rede. Há ainda, dentro do governo, quem veja com ressalvas a ideia de lhe dar um ministério, por dúvidas sobre se seria tão bom gestor quanto comunicador, segundo o jornal. O canal “exército do Lula” seguirá ativo.
O contexto
Janones foi cotado para a Secom na semana passada, como noticiou este portal. A reportagem lembra que a comunicação digital foi alvo de críticas no terceiro mandato: a primeira-dama Janja teve forte influência na área até a chegada de Sidônio Palmeira à Secom, em janeiro de 2025. Sobre o plano da esquerda de regular as redes e manter o canal ativo, veja outra reportagem; sobre o calendário dos ministérios, esta aqui.
O que falta saber
A criação do ministério depende de decisão de Lula, ainda não tomada, e a escolha do titular, de um acerto que nem o próprio Janones confirma. Este portal não ouviu o Planalto nem o deputado; as informações são do jornal citado.






















