EUA

Justiça dos EUA envia cerca de mil observadores a 126 condados e cidades

Segundo a CNN Brasil, parte dos locais fica em redutos democratas; Trump oferece US$ 1 milhão por denúncia de fraude que leve a condenação, e autoridades locais temem tensão nas urnas. O departamento diz que os observadores não devem interferir.

Fachada de pedra do edifício do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com a inscrição "Department of Justice" sob céu azul
Fachada do prédio do Departamento de Justiça dos EUA, em Washington, em 1º de junho de 2014. Foto de arquivo: Tony Webster — CC BY 2.0. A imagem não registra os observadores eleitorais enviados em 2026. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviou observadores eleitorais federais a 126 condados e cidades dos 50 estados no dia das eleições de meio de mandato. Segundo a CNN Brasil, cerca de mil advogados do próprio departamento, e não agentes da lei, acompanham a votação, e parte dos locais escolhidos concentra eleitores de maioria democrata em regiões importantes para o controle do Senado.

O que o governo diz

O objetivo declarado é verificar possíveis violações das leis eleitorais federais, como discriminação racial, intimidação de eleitores e falta de acesso à assistência linguística exigida por lei. Os observadores são orientados a não interferir no processo de votação, segundo a CNN Brasil.

Um funcionário do departamento disse à emissora que a prioridade é monitorar jurisdições que precisam fornecer assistência linguística, áreas negligenciadas com escassez de dados de observação e locais onde o departamento firmou acordo judicial por questões eleitorais anteriores.

O que a CNN Brasil encontrou

Uma análise da lista feita pela CNN Brasil mostra que os observadores foram enviados a algumas das maiores cidades e condados do país, como Dallas, Detroit, Chicago e Cleveland, muitos deles redutos democratas. A emissora cita também os condados de Johnson, no Kansas, e de Harris, no Texas, e lembra que a escolha de locais varia conforme o ciclo e o governo: administrações republicanas costumam enviar mais observadores a áreas democratas, e as democratas fazem o inverso.

A escala é maior que a de iniciativas anteriores. Nas primárias deste ano, o departamento enviou mais de cem observadores; nas midterms de 2022, sob o governo de Joe Biden, foram menos de 400, em 24 estados. Alguns democratas e ativistas do direito ao voto temem que os observadores sejam usados para minar a confiança no processo ou reunir material para ações judiciais sem fundamento, segundo a CNN Brasil.

Recompensa de US$ 1 milhão e temor nas cidades

Em reportagem publicada pelo Estadão, autoridades eleitorais e policiais afirmam se preparar para um dia de votação tenso. O presidente Donald Trump mantém, sem provas, alegações de que a eleição pode ser fraudada e disse a repórteres, na semana passada, que oferecerá US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,48 milhões, segundo o jornal) a quem denunciar fraude eleitoral que leve à prisão e condenação de alguém. O jornal chama as alegações de infundadas e diz que pesquisas mostram que a maioria dos eleitores confia nos resultados.

  • O xerife Chris Nanos, democrata do condado de Pima, no Arizona, teme que a oferta estimule “justiça com as próprias mãos”, e o chefe de polícia de Green Bay, no Wisconsin, Chris Davis, disse recear que ela aumente as tensões nos locais de votação.
  • Em New Haven, no Connecticut, o prefeito democrata Justin Elicker enviou carta ao departamento dizendo que os observadores não eram bem-vindos; para ele, “eles intimidam as pessoas para que não votem”.
  • A secretária de Estado de Connecticut, Stephanie Thomas, disse que o departamento se comprometeu a monitorar de fora de um perímetro de 23 metros e a não interferir. Uma porta-voz do departamento afirmou que os monitores não precisam de aprovação das autoridades estaduais ou locais, mas são treinados para seguir as leis locais de acesso aos locais de votação.

O Estadão lembra ainda que o departamento pediu à Califórnia que separasse 20 mil cédulas enviadas pelo correio, o que a Suprema Corte rejeitou na segunda-feira, e que os estados se preparam para uma eventual contestação ou interferência federal.

O que falta saber

A lista completa dos 126 locais e a conduta dos observadores ao longo do dia ainda não foram detalhadas nas reportagens lidas, que não registram incidente com os observadores. A CNN Brasil lembra que o envio de observadores aos 50 estados é uma operação bem mais ampla que as anteriores; a discussão é sobre o alcance e a escolha dos locais.

Texto escrito às 14h15 de 3 de novembro, com base em reportagem da CNN Brasil (publicada às 13h26) e em reportagem do Estadão lida às 14h15. Os números são os informados por esses veículos e não foram conferidos em fonte oficial do Departamento de Justiça.

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