Lula (PT) teve 2,1 milhões de votos a mais do primeiro para o segundo turno nas cidades em que há mais beneficiários do Bolsa Família do que pessoas com carteira assinada, segundo levantamento do Poder360 divulgado nesta quinta-feira (29). O acréscimo equivale a quase metade da vantagem de 4,4 milhões de votos do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa nacional. O levantamento mostra o que aconteceu nesses municípios; não demonstra que o programa tenha causado a diferença.
Os números
O Brasil tem 5.569 cidades, e em 2.647 delas há mais famílias no programa do que empregos formais, segundo o levantamento. Nesse grupo, Lula foi de 62,97% para 68,12% dos votos válidos entre os dois turnos. Flávio caiu de 32,14% para 31,88%, queda de 0,26 ponto percentual. Em votos, Lula passou de 18,4 milhões para 20,5 milhões, de um total de 29,3 milhões de votos válidos do primeiro turno; Flávio foi de 9,4 milhões para 9,6 milhões, alta de 195 mil. A abstenção nesse grupo caiu de 20,1% para 19,4%. Lula venceu em 2.232 dessas cidades no primeiro turno e em 2.287 no segundo; Flávio foi de 414 para 359 vitórias. Em Marquinho (PR), houve empate, e a cidade não entrou na contagem de nenhum dos dois.
O que o governo fez, segundo a reportagem
De acordo com o Poder360, Lula anunciou, 17 dias antes do primeiro turno, aumento de 15% no benefício, que passou de R$ 600 para R$ 691 (o piso citado pela reportagem), e o Planalto antecipou os pagamentos reajustados, que iriam até o fim de outubro, para antes da votação. O governo também enviou mensagens por WhatsApp aos beneficiários; o total de famílias cadastradas é de 19,3 milhões. Em entrevista à TV Globo em 15 de outubro, perguntado de forma indireta se a decisão teria sido eleitoreira, Lula disse que não deu o reajuste antes porque não sabia que o valor estava congelado havia três anos, segundo a reportagem.
A campanha de Flávio
O Poder360 aponta como possível fator uma fala da coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, sobre criar uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio. Segundo a reportagem, petistas distribuíram o áudio em redes e grupos de WhatsApp dando a entender que o prazo seria seguido da retirada do benefício; aliados de Flávio explicaram depois que não era isso. A reportagem também cita um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com críticas ao governo no Nordeste, muito compartilhado e respondido por influenciadores, e registra que o impacto real dessas ações não pode ser medido. Segundo o texto, mesmo perdendo em percentual, Flávio teve nesse grupo de cidades 31,88%, ante 30,73% de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, ou 1,1 milhão de votos a mais.
Limites
Os Poderes leu a reportagem do Poder360, e não os dados originais do TSE nem do cadastro do programa, por isso os números são atribuídos ao veículo. A comparação cobre cidades com mais beneficiários do que empregos formais, e uma explicação para o resultado dependeria de estudos que isolem outros fatores. O contexto da eleição está nas matérias sobre os municípios em que Lula ampliou o percentual e sobre o peso dos votos depois das 17h.






















