Obras e voos militares dos Estados Unidos na base aérea de Taura, no Equador, apontam para uma presença americana maior no país, segundo reportagem da agência AFP reproduzida pelo g1 nesta quinta-feira (29). A agência diz ter analisado imagens de satélite, registros de voos, relatos de testemunhas e documentos militares. Os governos dos EUA e do Equador não são citados confirmando a expansão nas partes lidas pelos Os Poderes.
O que a apuração encontrou
Taura fica a cerca de uma hora de Guayaquil, principal porto de saída de drogas para os EUA, segundo a reportagem, e é a única base aérea equatoriana dedicada só a operações militares; a pista tem mais de 3 mil metros. A AFP identificou remoção de vegetação ao redor da pista, instalação gradual de dezenas de barracas, uma estrutura de cerca de 40 por 20 metros semelhante a um hangar desmontável e cerca de 20 voos militares americanos entre junho e meados de outubro. Entre as aeronaves citadas estão C-130 Hércules, C-17 Globemaster, V-22 Osprey e helicópteros Black Hawk. Os voos ligaram Taura a bases americanas, como Cherry Point (Carolina do Norte) e Dover (Delaware), com escalas em Porto Rico e no Panamá. Documentos mencionam tropas americanas e “voos temporários de apoio”.
A dúvida sobre a legalidade
Segundo a reportagem, a expansão ocorre menos de um ano depois de os equatorianos rejeitarem, em referendo, a instalação de bases militares estrangeiras. Em carta do início de setembro obtida pela AFP, o então comandante da Força Aérea, Mauricio Salazar, pediu às Forças Armadas esclarecimentos sobre a base legal para receber militares estrangeiros sem violar a Constituição; depois disso, ele foi afastado e transferido para uma função de patente menor. O texto não traz explicação oficial para o afastamento.
O que diz o governo equatoriano
Em setembro, o presidente Daniel Noboa disse que trabalhava com EUA, Brasil e União Europeia para concentrar em Taura qualquer cooperação entre dois países e que pretendia melhorar as pistas para operações conjuntas. Em entrevista de TV, afirmou que seria mais apropriado transferir tudo para Taura, por ser uma base sem aeroporto civil em região de alto índice de criminalidade.
Limites
Os Poderes leu a reprodução da AFP no g1, e não a reportagem original, a carta nem os registros de voo. Falta a posição oficial dos governos dos EUA e do Equador sobre o alcance da presença em Taura e sobre a base legal.






















